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EUA declara embaixador da África do Sul persona non grata

Ebrahim Rasool é criticado por ataques à administração Trump e por comentários sobre vitimização dos brancos

16 de Marco de 2025
Foto: Cliff Owen / Arquivo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou na última sexta-feira (14) que Ebrahim Rasool, embaixador da África do Sul nos Estados Unidos, foi declarado persona non grata. Rubio acusou o diplomata de ser um "político que faz ataques raciais" e de nutrir "ódio pelos Estados Unidos e pelo presidente Donald Trump". 

"O embaixador da África do Sul nos Estados Unidos não é mais bem-vindo em nosso grande país", disse Rubio em uma postagem na plataforma de mídia social X. "Não temos nada a discutir com ele e, portanto, ele é considerado PERSONA NON GRATA", completou. 

A medida foi tomada após Rasool participar de um evento online no qual criticou a administração Trump. O embaixador acusou o presidente norte-americano de adotar discursos associados ao supremacismo branco e de construir uma narrativa em que os brancos são retratados como vítimas no país. 

Em resposta, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, classificou como "lamentável" a decisão dos Estados Unidos e reiterou o compromisso de sua nação em manter boas relações com o país norte-americano. "A Presidência insta todas as partes interessadas relevantes e impactadas a manterem o decoro diplomático estabelecido em seu envolvimento com o assunto. A África do Sul continua comprometida em construir um relacionamento mutuamente benéfico com os Estados Unidos da América", afirmou. 

Nos últimos anos, os laços entre os dois países se enfraqueceram, especialmente após Trump cortar a ajuda financeira dos EUA à África do Sul. O corte foi motivado pela desaprovação da política fundiária do país e pela denúncia de genocídio contra Israel apresentada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, uma acusação que não foi comprovada. 

Trump, sem apresentar provas, afirmou que "a África do Sul está confiscando terras" e que "certas classes de pessoas" estão sendo tratadas "muito mal". Elon Musk, bilionário sul-africano e aliado de Trump, também afirmou que os sul-africanos brancos estão sendo vítimas de "leis racistas de propriedade". 

O governo de Ramaphosa, por sua vez, sancionou um projeto de lei em janeiro para permitir a expropriação de terras pelo Estado, com o argumento de interesse público e, em alguns casos, sem compensação ao proprietário. A medida visa corrigir as disparidades raciais na posse de terras, uma herança do apartheid, regime de segregação racial que vigorou entre 1948 e 1994, quando a maioria das terras estava concentrada nas mãos da minoria branca. Ramaphosa defendeu a política, assegurando que nenhuma terra foi confiscada e que o objetivo é nivelar as desigualdades raciais no país. 

 

Com informações da Reuters. 

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