Grupo é acusado de narcotráfico, violência armada e atuação transnacional.
O governo dos Estados Unidos classificou oficialmente o Clan del Golfo, da Colômbia, como uma organização terrorista. A designação foi anunciada em comunicado publicado nesta terça-feira (16) no site do Departamento do Tesouro norte-americano e amplia as medidas adotadas por Washington contra grupos criminosos atuantes na América Latina.
Em nota oficial, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descreveu o Clan del Golfo como uma "organização criminosa violenta e poderosa", cuja principal fonte de financiamento é o tráfico de cocaína. Rubio também acusou o grupo de ser responsável por ataques terroristas em território colombiano.
"Os Estados Unidos continuarão a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e deter as campanhas de violência e terror cometidas por cartéis internacionais e organizações criminosas transnacionais", afirmou Rubio no comunicado.
A medida ocorre em um contexto mais amplo de endurecimento da política norte-americana contra organizações criminosas da América Latina. Nos últimos meses, o governo de Donald Trump passou a designar grupos ligados ao narcotráfico como organizações terroristas, sob o argumento de que eles contribuem para o tráfico de drogas e para o fluxo irregular de imigrantes em direção aos Estados Unidos.
Antes disso, a administração do presidente Joe Biden já havia adotado sanções contra os principais líderes do Clan del Golfo no ano passado, reforçando a pressão internacional sobre o grupo colombiano.
Considerado pelas autoridades colombianas como uma das organizações criminosas mais perigosas do país, o Clan del Golfo atua principalmente no narcotráfico e em práticas de extorsão. Segundo a Polícia Nacional da Colômbia, trata-se de uma das “organizações criminosas transnacionais mais perigosas” em atividade atualmente.
Ao longo dos anos, o grupo também ficou conhecido por outros nomes, como Clan Úsuga, Los Urabeños e Autodefensas Gaitanistas de Colombia. Sua liderança inclui ex-paramilitares, e a organização surgiu após a desmobilização das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo paramilitar de extrema direita que atuou fortemente no país.
O Clan del Golfo foi fundado em 2007 por Daniel Rendón Herrera, conhecido como Don Mario, ex-integrante do Bloco Centauros das AUC. Ele foi capturado em 2009 e extraditado para os Estados Unidos em 2018. Antes da extradição, Don Mario se declarou inocente das acusações que enfrentava.
Considerado à época o narcotraficante mais procurado da Colômbia, Don Mario acabou se declarando culpado em novembro de 2021, nos Estados Unidos, pelos crimes de distribuição de narcóticos e apoio a um grupo terrorista. Segundo a agência Reuters, a confissão fez parte de um acordo relacionado a um império de cocaína avaliado em cerca de US$ 1 bilhão.
Promotores norte-americanos destacaram ainda que Don Mario responde na Colômbia a condenações por tráfico de drogas, porte ilegal de armas e diversos homicídios. Mesmo após sua prisão, o Clan del Golfo manteve e ampliou sua atuação internacional.
De acordo com a Polícia Nacional da Colômbia, em novembro de 2021 o grupo já estava presente em 28 países distribuídos por quatro continentes, utilizando essas localidades tanto como rotas do narcotráfico quanto como destinos finais da droga.
As autoridades indicam que o Clan del Golfo atua em países como Estados Unidos, México, Honduras, Panamá, Costa Rica, República Dominicana, Brasil, Guatemala, Nicarágua, Venezuela e El Salvador. Na Europa, o grupo mantém operações na Bélgica, Espanha, Holanda, Alemanha, França, Portugal, Polônia, Grécia, Irlanda, Inglaterra, Itália, Albânia e Ucrânia.
Na Ásia, a organização criminosa também teria alcance no Irã, Emirados Árabes Unidos e China, com ramificações que chegam até a Austrália, evidenciando o caráter global de suas atividades ilegais.