Ciência e Tecnologia

Estudo revela como Marte manteve calor e água líquida por bilhões de anos

Pesquisa da Universidade de Harvard sugere que ciclos de aquecimento na atmosfera de Marte permitiram a presença de água líquida em um passado distante, oferecendo pistas sobre a possível existência de vida no planeta vermelho

30 de Janeiro de 2025
Foto: Reprodução/Labroots

Um estudo recente conduzido por cientistas da Universidade de Harvard revelou novos mecanismos químicos que ajudaram Marte a manter calor suficiente para sustentar água líquida em seu passado distante, possibilitando a formação de rios e lagos. Embora hoje o planeta seja frio e seco, há bilhões de anos, Marte era um ambiente mais hospitaleiro. 

A pesquisa foi liderada por Danica Adams, pesquisadora da NASA, e seu colega professor Robin Wordsworth, que utilizaram modelagem fotoquímica para entender como a interação entre hidrogênio e a atmosfera primitiva de Marte contribuiu para o aquecimento do planeta. Os resultados apontam para ciclos de aquecimento que ocorreram entre 4 e 3 bilhões de anos atrás, durante os quais Marte vivenciou períodos intermitentes de aquecimento, cada um com cerca de 100 mil anos de duração. Essas flutuações de temperatura são consistentes com as formações geológicas observadas atualmente no planeta. 

"Marte é um mundo perdido, mas podemos reconstruí-lo em detalhes se fizermos as perguntas certas", destacou Wordsworth. Os cientistas descobriram que a hidratação da crosta marciana, um processo em que a água do solo se liberava para a atmosfera, foi responsável por esses períodos de aquecimento intermitentes. 

O estudo sugere que esses ciclos de aquecimento podem ter criado condições favoráveis para reações químicas que seriam essenciais para o surgimento da vida, mas também indicam desafios para a manutenção dessas condições durante períodos mais frios e oxidativos. 

Os próximos passos dos cientistas incluem a busca por evidências dessas oscilações atmosféricas por meio de modelos químicos isotópicos, além de comparar os dados com amostras de rochas que serão trazidas pela futura missão Mars Sample Return da NASA. 

Marte, ao contrário da Terra, não possui placas tectônicas, o que faz com que sua superfície visível atualmente seja praticamente a mesma de bilhões de anos atrás, permitindo uma análise detalhada de seu passado geológico e climático. 

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