Quarta-Feira, (21 de Outubro de 2026)
Meio Ambiente

Estudo prevê 13,3 mil mortes no Brasil com Super El Niño

Relatório da Universidade de Chicago coloca o país entre os cinco mais afetados do mundo, com maior risco nas regiões Norte e Nordeste.

Por: Portal Amz em Pauta
24 de Setembro de 2026
Foto: Reprodução

Um relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago prevê que o calor associado ao chamado Super El Niño pode provocar até 13,3 mil mortes adicionais no Brasil até fevereiro de 2027. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (23), aponta que as regiões Norte e Nordeste devem concentrar a maior parte das vítimas, colocando o país como o mais afetado da América Latina pelo fenômeno.

O estudo estima que, em todo o mundo, cerca de 451 mil mortes adicionais poderão estar relacionadas ao calor durante o período analisado. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, começou em junho de 2026 e pode fazer com que os dias extremamente quentes quase dobrem até fevereiro do próximo ano. Segundo os pesquisadores, as temperaturas podem ficar pelo menos 1,2°C acima do normal em comparação com anos anteriores, com possibilidade de agravamento durante o verão.

No ranking global, o Brasil aparece na quinta posição entre os países com maior número estimado de mortes, atrás de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria. O período mais crítico no território brasileiro deve ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Entre os estados com projeções mais elevadas estão Pará, com cerca de 2,3 mil mortes adicionais, Maranhão, com 1,3 mil, além de Amazonas e Bahia, com aproximadamente 1,2 mil cada.

Sul global concentra maior risco

As projeções mostram que os impactos mais graves devem se concentrar no chamado Sul global. Na África, o relatório estima aproximadamente 67 mil mortes adicionais, principalmente na região do Sahel. A Nigéria pode registrar 31,4 mil mortes acima do normal, seguida pelo Sudão, com 17,5 mil, Níger, com 10 mil, e Chade, com 8 mil. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar 19,4 mil mortes extras, enquanto a Índia pode registrar outras 15,8 mil.

No continente americano, os Estados Unidos aparecem com uma projeção de aproximadamente 3,5 mil mortes adicionais relacionadas ao calor. Venezuela e Colômbia também estão entre os países com números elevados, com estimativas de 2,3 mil e 2,2 mil mortes extras, respectivamente. No Brasil, o governo vem se preparando para situações de emergência com bases da Força Nacional do Sistema Único de Saúde, equipadas com pessoal e estrutura para atuar em desastres e eventos extremos.

Os pesquisadores alertam que os números podem aumentar caso o El Niño dure mais do que o previsto. Para Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor da Universidade de Chicago, a possibilidade de prever os efeitos do calor sobre a mortalidade permite antecipar respostas. Ele destacou que as projeções representam pessoas e famílias reais e não apenas estatísticas.

Para reduzir a mortalidade, os especialistas recomendam medidas como sistemas de alerta para ondas de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação e proteção específica para trabalhadores e populações vulneráveis. A coautora do estudo, Tamma Carleton, da Universidade da Califórnia em Berkeley, afirma que ampliar a resposta emergencial pode salvar vidas agora, mas ressalta que será necessário investir em planejamento de longo prazo diante de um cenário em que temperaturas extremas tendem a se tornar cada vez mais comuns.

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