Meio Ambiente

Estudo mostra que demarcar terras indígenas melhora a saúde da população

Pesquisas em nove países amazônicos ligam proteção florestal a menos doenças respiratórias e infecciosas

26 de Setembro de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Um estudo conduzido por pesquisadoras brasileiras revelou que a demarcação legal de Terras Indígenas (TIs) reduz significativamente doenças respiratórias e infecciosas em municípios localizados até 500 quilômetros de distância.

A pesquisa, publicada na revista Nature, analisou dados de 2000 a 2019 de todos os nove países que compõem a Amazônia, Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Suriname, Guiana Francesa e Guiana e teve resultado semelhante em um levantamento paralelo sobre a Mata Atlântica.

“Nossas descobertas reforçam a importância do reconhecimento legal das Terras Indígenas (TIs), não apenas para conter o desmatamento, mas também para melhorar a saúde humana local”, aponta o estudo. Segundo as autoras, a proteção dessas áreas contribui para reduzir queimadas e a emissão de poluentes, além de frear a disseminação de doenças tropicais como malária, leishmaniose e hantavirose.

A equipe, liderada por Julia Barreto (Instituto de Estudos Avançados da USP) e Paula Prist (Forests and Grassland Program, União Internacional para Conservação da Natureza), correlacionou informações de focos de queimada, poluentes atmosféricos, como partículas de até 2,5 micrômetros, e dados de saúde. Esse tipo de material particulado é capaz de provocar doenças respiratórias e cardiovasculares, viajar centenas de quilômetros e se acumular no sangue.

Segundo Paula Prist, a série histórica extensa “permite uma resposta mais robusta”, pois reduz distorções causadas por variações climáticas ou crises temporárias. Julia Barreto destacou que a pesquisa “traz mais uma evidência do papel dos territórios indígenas e de sua proteção”, com benefícios que alcançam até as populações urbanas próximas.

Os resultados confirmam que TIs legalizadas diminuem a extensão e a frequência das queimadas, reduzindo a emissão de poluentes e a incidência de doenças respiratórias. O estudo também observou que, em municípios com maior devastação, essas reservas funcionam como compensação ambiental. Em áreas com menos de 40% de cobertura florestal, porém, a influência cai e se torna quase residual para as doenças infecciosas.

As pesquisadoras explicam que as florestas removem partículas poluentes do ar por deposição seca, contribuindo para um ar mais limpo. Elas ressaltam que, embora outros fatores, como condições socioeconômicas e estrutura da paisagem, influenciem os resultados, a proteção dos territórios indígenas é decisiva para a saúde pública.

O trabalho destaca ainda que as Terras Indígenas representam não apenas direitos ancestrais, mas também um serviço ambiental vital. “As TIs têm uma capacidade de tornar paisagens mais saudáveis para toda a região”, afirma Julia Barreto. Todos os dados coletados foram disponibilizados gratuitamente para apoiar novas políticas e pesquisas em saúde e conservação.

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