Ciência e Tecnologia

Estudo liga cigarro e vape a maior risco de depressão

Pesquisa com 60 mil adolescentes nos EUA mostra impacto mental e cognitivo.

18 de Agosto de 2025
Foto: Freepik

Adolescentes que fumam cigarros convencionais ou eletrônicos apresentam risco significativamente maior de desenvolver transtornos mentais como ansiedade e depressão, aponta estudo publicado em julho no periódico científico Plos Mental Health.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de West Virginia, nos Estados Unidos, a partir de dados da National Youth Tobacco Survey, coletados entre 2021 e 2023 com 60 mil estudantes do ensino fundamental e médio.

Segundo os resultados, 35% dos usuários de cigarro comum relataram sintomas de depressão e 38% de ansiedade. Entre usuários de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, os índices foram de 36% e 40,5%. Já no grupo que fuma ambos os tipos, os percentuais foram ainda maiores: 43,5% e 42,5%. Em comparação, entre adolescentes que não fumam, os números caem para 21,8% e 26,4%, quase a metade.

“Há vários estudos que correlacionam uso de cigarro com transtornos mentais, mas a novidade desse é o tamanho da amostra, os dados sobre uso de vape e o público adolescente”, destacou o psiquiatra Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Saúde Mental e Bem-Estar, do Hospital Israelita Albert Einstein.

O levantamento também reforça que os cigarros eletrônicos não são inofensivos. Além da nicotina, substância que causa dependência, os líquidos usados podem conter metais pesados, compostos cancerígenos e substâncias irritantes ao sistema respiratório. O uso contínuo pode provocar inflamações pulmonares, crises de falta de ar e comprometer a capacidade física, especialmente em jovens em fase de desenvolvimento.

A atratividade do vape entre adolescentes está ligada à aparência moderna e aos sabores adocicados, que mascaram a sensação de estar fumando, favorecendo o uso excessivo e aumentando o risco de dependência. Por isso, especialistas defendem o reforço de campanhas de conscientização em escolas e famílias.

Outro ponto de atenção citado pelo estudo é a relação entre tabagismo e redes sociais: adolescentes que passavam pelo menos três horas por dia conectados tinham maior propensão a fumar em comparação aos que não utilizavam as plataformas.

Embora os dados revelem forte associação entre tabaco e sintomas de ansiedade e depressão, os pesquisadores não avaliaram a evolução dos participantes ao longo do tempo. “Por isso, a pesquisa não permite estabelecer uma relação de causa e efeito. Não se sabe se o tabaco causa os sintomas ou se o uso do cigarro vem deles”, ponderou Zoldan.

Além do impacto no humor, a nicotina pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, a regulação emocional, a memória e funções cognitivas, reforçando a preocupação de órgãos de saúde em limitar o acesso de jovens ao cigarro, seja eletrônico ou tradicional.

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