Amazonas

Estudo da Fiocruz alerta para contaminação por plásticos em toda Amazônia

Pesquisa revela riscos ambientais e à saúde em áreas aquáticas e terrestres.

15 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

Um estudo coordenado pela Fiocruz, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, acendeu um alerta para a preocupante contaminação por plásticos na Amazônia. A pesquisa destaca que, além de comprometer ambientes aquáticos e terrestres, a poluição representa risco direto para a saúde humana, especialmente para populações mais vulneráveis, como ribeirinhos e indígenas.

O objetivo do trabalho foi revisar e sintetizar estudos científicos que analisaram a presença de poluição plástica, macro, meso, micro e nanoplástico, em diferentes contextos amazônicos. O levantamento reuniu informações sobre a ocorrência de resíduos em fauna, flora, sedimentos e água, apontando para um impacto muito maior do que se imaginava.

O epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, destacou que o momento é crucial, considerando o debate global sobre um tratado para reduzir o uso de plásticos. “Revisamos 52 estudos com relatos de lixo e fragmentos de plástico no bioma amazônico, e os resultados indicam um impacto muito maior do que a maioria das pessoas supõe”, afirmou. Ele lembra que o prazo dado pelas Nações Unidas para que 180 países concluíssem um acordo global sobre poluição plástica venceu em 14 de agosto.

O artigo, publicado na revista científica AMBIO, reuniu pesquisadores da Fiocruz Amazônia e do Instituto Mamirauá, com a bióloga Jéssica Melo como primeira autora. Ela ressalta que a Amazônia, apesar de abrigar a maior bacia hidrográfica do planeta e o segundo rio mais poluído por plástico do mundo, ainda recebe pouca atenção científica, e não há registros sobre a presença de nanoplásticos, foco de estudos em outras regiões.

Segundo Jéssica Melo, a ausência de infraestrutura agrava a situação. “As comunidades não têm estrutura para coleta de lixo. Antes, os resíduos eram basicamente orgânicos, mas hoje vemos garrafas PET e embalagens industrializadas boiando nos rios”, observou. Ela alerta para riscos à alimentação e à qualidade da água, defendendo mais pesquisas, sobretudo em fauna não piscícola e áreas remotas.

O estudo também aponta falhas graves na gestão de resíduos. Enquanto cidades como Rio de Janeiro e Salvador já proíbem alguns derivados de petróleo, o interior do Amazonas não conta com nenhum município que ofereça reciclagem de plásticos ou medidas efetivas de mitigação. Essa carência amplia a poluição e dificulta ações preventivas.

Orellana acrescenta que os resíduos plásticos não são descartados apenas por comunidades ribeirinhas, mas também por moradores de centros urbanos e embarcações. Esse lixo percorre longas distâncias, atravessando cidades, países e chegando aos oceanos. A poluição, que antes era invisível, hoje ameaça cadeias alimentares e o equilíbrio dos ecossistemas.

Para os pesquisadores, o desafio é global e exige respostas urgentes. Eles defendem políticas públicas que levem em conta as especificidades amazônicas, como o isolamento de muitas comunidades, para reduzir o acúmulo de lixo plástico e proteger a biodiversidade e a saúde das populações tradicionais.

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