Saúde

Estudo aponta vínculo entre estresse de eventos de vida e alterações cerebrais associadas à Alzheimer

A pesquisa analisou 1.200 participantes da coorte ALFA, composta por indivíduos cognitivamente saudáveis.

04 de Julho de 2025
Foto: Reprodução

Eventos intensamente estressantes, como luto, desemprego e perdas financeiras, podem impactar negativamente o cérebro e aumentar a vulnerabilidade à doença de Alzheimer, concluem pesquisadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e do Centro de Pesquisa Cerebral Barcelonaβeta (BBRC) em estudo publicado na revista Neurology.

A pesquisa analisou 1.200 participantes da coorte ALFA, composta por indivíduos cognitivamente saudáveis, mas com histórico familiar da doença, utilizando ressonância magnética e análise de biomarcadores presentes no líquido cefalorraquidiano para identificar associações entre estresse e alterações neurobiológicas.

Impacto do luto e dos eventos financeiros

Entre as constatações, o luto — particularmente pela perda de um parceiro — foi associado a alterações precoces nos biomarcadores de Alzheimer. Os homens apresentaram uma redução significativa na proporção beta-amiloide 42/40, um indicador da deposição dessa proteína no cérebro, considerada um dos precursores dos depósitos amiloides característicos da doença. Já as mulheres demonstraram níveis mais elevados de tau fosforilada e neurogranina, proteínas ligadas à degeneração neuronal e à perda de conexões sinápticas.

Além do luto, o estudo revelou que eventos como o desemprego e perdas econômicas se correlacionam com a redução do volume de substância cinzenta em regiões do cérebro responsáveis pela regulação emocional e funções cognitivas. Segundo os pesquisadores, os homens parecem ser mais afetados pelos efeitos do desemprego, enquanto nas mulheres as consequências financeiras acentuam o risco – possivelmente influenciadas por fatores socioculturais, como a segurança econômica e a rede de apoio.

Implicações para a prevenção e saúde pública

Os achados reforçam a importância de políticas de saúde pública que visem reduzir o estresse e promover o suporte psicossocial, sobretudo em populações com predisposição genética à doença de Alzheimer. A identificação dessas alterações precoces pode abrir caminho para o desenvolvimento de intervenções que prolonguem a saúde cerebral e retardem o aparecimento dos sintomas da demência.

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