Pesquisa do Inpa e da Ufam analisou peixes coletados em mais de mil quilômetros de rios e confirmou predominância da espécie Arapaima gigas.
Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), concluiu que o pirarucu encontrado no sistema Amazonas-Solimões pertence a uma única espécie: Arapaima gigas. O resultado foi publicado na última sexta-feira (3), na revista internacional Neotropical Ichthyology.
A pesquisa contraria levantamentos anteriores que indicavam a possível existência de várias espécies de pirarucu na região. Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram exemplares coletados em diferentes pontos da Amazônia, abrangendo mais de mil quilômetros do sistema Solimões-Amazonas.
Ao todo, foram recolhidos 90 espécimes em quatro áreas: Alto rio Solimões, rio Juruá, rio Purus e baixo rio Amazonas. Desse total, 82 peixes foram fotografados e 70 passaram por análise genética, permitindo uma avaliação mais detalhada das características da espécie.
Considerado o maior peixe de água doce da América do Sul, o pirarucu ocupa uma posição importante tanto no meio ambiente quanto na economia regional. Na Amazônia, ele é visto como uma espécie vulnerável em seu ambiente natural, enquanto em outras bacias, como as dos rios São Francisco e Paraná, pode ser considerado um predador capaz de ameaçar a biodiversidade local.
Além do papel ecológico, o pirarucu também representa fonte de renda e subsistência para comunidades amazônicas. Por isso, segundo os pesquisadores, compreender melhor sua conservação, genética e morfologia é essencial para garantir o uso sustentável da espécie e evitar o esgotamento de seus estoques naturais.
O autor do artigo, o pesquisador Valdenor Magalhães, explica que a confirmação de apenas uma espécie vai contra dois estudos publicados em 2013, que sugeriam a existência de outras quatro espécies além da Arapaima gigas. De acordo com ele, diferenças como tamanho dos olhos, quantidade de dentes, formato das nadadeiras, altura do corpo e número de vértebras são variações naturais de uma mesma espécie, e não características suficientes para separar novos grupos.
Magalhães destaca ainda que o pirarucu, por estar no topo da cadeia alimentar, exerce função fundamental no equilíbrio dos ecossistemas onde ocorre naturalmente, ao controlar populações de outras espécies. Para o pesquisador, preservar o peixe por meio do manejo sustentável é também uma forma de proteger seu papel ecológico e garantir que ele continue sendo importante para o ambiente e para as comunidades que dependem dele.