Meio Ambiente

Estudo alerta para novo fenômeno extremo triplo no Atlântico Sul

A pesquisa analisou a ocorrência desses eventos em dois períodos consecutivos de 10 anos: de 1999 a 2008 e de 2009 a 2018, em seis áreas do Atlântico Sul, três próximas à costa brasileira e três ao litoral africano.

09 de Junho de 2025
Foto: Reprodução

Um estudo inédito revelou a intensificação de um fenômeno climático extremo triplo no Atlântico Sul, caracterizado pela combinação de ondas de calor marinhas, acidificação acentuada das águas e escassez de clorofila. O levantamento mostra que esses três eventos, que afetam diretamente os ecossistemas marinhos, passaram a ocorrer quase todos os anos nas últimas duas décadas — algo inexistente até os anos 2000.

A pesquisa analisou a ocorrência desses eventos em dois períodos consecutivos de 10 anos: de 1999 a 2008 e de 2009 a 2018, em seis áreas do Atlântico Sul, três próximas à costa brasileira e três ao litoral africano.

No primeiro período estudado, nenhuma ocorrência simultânea dos três fenômenos foi registrada. Já no segundo intervalo, os eventos triplos se tornaram recorrentes, com duração mínima de 17 a 49 meses. Em situações mais severas, os impactos abrangeram de 4% a 18% da área total de cada região analisada.

O verão e o outono de 2020 marcaram o episódio mais crítico observado até o momento. Na costa de Rio do Fogo (RN), a temperatura do mar chegou a 32°C, enquanto o normal na região é de 28°C. O calor extremo resultou no branqueamento de 85% dos corais duros e de 70% dos zoantídeos, espécies que habitam os recifes e são sensíveis ao aumento da temperatura.

De acordo com os cientistas, as mudanças climáticas causadas pela ação humana estão diretamente relacionadas à intensificação desse fenômeno. A elevação da temperatura e da acidez da água aumenta a mortalidade de espécies marinhas, impactando cadeias alimentares e atividades econômicas como a pesca.

A redução da clorofila, por sua vez, compromete a fotossíntese de plantas e algas marinhas, o que diminui a produção de alimento na base da cadeia ecológica do oceano.

Os pesquisadores alertam que o avanço desse fenômeno extremo deve acender um sinal de alerta sobre a urgência em conter os efeitos das mudanças climáticas para preservar a biodiversidade marinha e os serviços ecossistêmicos dos oceanos.

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