Do pioneirismo de Limite às múltiplas indicações recentes, a presença brasileira na maior premiação do cinema mundial revela uma trajetória histórica marcada por talento, inovação e reconhecimento internacional contínuo.
Conseguimos de novo! Após ganharmos o Oscar de melhor filme de língua não inglesa por Ainda Estou Aqui (Water Salles Jr, 2024) e a indicação de Fernanda Torres como melhor atriz no mesmo longa, entramos 2026 com quatro indicações para O Agente Secreto (Kleber Mendonça Filho, 2025): melhor filme, melhor filme de língua não inglesa, melhor ator (Wagner Moura) e a indicação inédita para melhor direção de elenco.
É um feito incrível para o cinema brasileiro, mas à primeira vista, especialmente para quem nasceu na primeira década do Século XXI pode parecer que somente agora o cinema nacional consegue reconhecimento internacional. Ledo engano, desde os primeiros anos do cinema quando essa arte ainda não tinha nem cores e som, o cinema brasileiro conseguiu se destacar com verdadeiras obras primas que levaram para as telas do mundo a nossa língua, cultura, os nossos rostos, músicas, sonhos e angústias.
Em 1931, Limite de Mário Peixoto foi um marco do cinema brasileiro. Embora não tivesse ganho prêmios internacionais (na época não havia tantos festivais), Limite é destacado como uma obra prima para a sua época por estudiosos de cinema de todo o mundo. Bastaram duas décadas e uma guerra mundial para que o cinema nacional viesse a ter repercussão internacional, quando O Cangaceiro (Lima Barreto, 1953), conquista o prêmio de melhor filme de aventura no já prestigiado Festival de Cannes.
Limite de Mário Peixoto - Foto: Reprodução
O Cangaceiro de Lima Barreto - Foto: Reprodução
Além da conquista internacional, O Cangaceiro inaugura um novo gênero de filme: o ‘nordestern’ , a versão brasileira do western dos Estados Unidos. E é na esteira desse gênero que A Morte Comanda o Cangaço (Carlos Coimbra/Walter Guimarães Motta, 1960) é o escolhido para o Brasil para concorrer ao Oscar de melhor filme internacional. Infelizmente, o filme não ficou entre os cinco indicados oficiais, porém é reconhecido como um sucesso mundial de bilheteria.
A Morte Comando o Cangaço de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Mota, 1960 - Foto: Reprodução
Em 1962, O Pagador de Promessas (Anselmo Duarte, mesmo ano) ganha a Palma de Ouro de Cannes, a maior premiação do festival consolidando o cinema brasileiro entre os gigantes da indústria. Não bastasse isso, em 1963, O Pagador de Promessas foi o primeiro longa brasileiro e sul americano indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (atualmente, filme de língua não inglesa), mas acabou perdendo para o francês Sempre aos Domingos.
O Pagador de Promessas de Anselmo Duarte - Foto: Reprodução
A partir daí a trajetória brasileiro em festivais internacionais entre prêmios e indicações é extensa com reconhecimento nas premiações de Berlim, Cannes, Bafta, Veneza e também no Oscar, entre outros. Por isso me permito fazer alguns destaques e obviamente deixando outras obras de fora, mas vamos a eles:
Em 1985, A Hora da Estrela de Suzana Amara, leva o Urso de Prata de Berlim de melhor atriz para Marcélia Cartaxo;
No mesmo ano, William Hurt é lançado ao estrelato e ganha o Oscar de melhor ator por O Beijo da Mulher Aranha, dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro, Hector Babenco. Não conta como um Oscar para o Brasil, mas novamente colocou o cinema nacional nos holofotes do mundo;
Em 1986, Fernanda Torres ganha o prêmio de melhor atriz em Cannes por Eu Sei que Vou te Amar, de Arnaldo Jabor;
Em 1996, O Quatrilho de Fábio Barreto é indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa, o feito é repetido pelo longa dirigido pelo irmão. Bruno Barreto com O Que é Isso Companheiro? Indicado para a cerimônia de 1998;
Após conquistar o Urso de Prata de Berlim por Central do Brasil, Fernanda Montenegro é a primeira brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 1999, mas perde para a estadunidense Gwyneth Patrol;
Em 2004, Cidade de Deus de Fernando Meirelles é o primeiro filme brasileiro a receber quatro indicações ao Oscar (melhor direção, roteiro adaptado, montagem e fotografia);
A animação O Menino e o Mundo de Ale Abreu é indicado ao Oscar da categoria (feito inédito), em 2016. Ele perde para Divertida Mente dos Estúdios Disney;
É uma grande lista com expoentes brasileiros da sétima arte o que comprova que sempre estivemos aqui e além na atenção das audiências e das mídias internacionais. O cinema brasileiro é sucesso e vale muito a pena ser prestigiado.
E com esse texto inauguro aqui essa parceria com o AMZ em Pauta e aproveito para agradecer o convite e o carinho com o qual fui acolhido pela equipe e pela direção. Semana que vem nos encontramos de novo. Até lá!