Justiça

Escutas revelam Rúben Dario Villar, o "Colômbia", como mandante das mortes de Bruno e Dom

Gravações na prisão mostram ligação com execução e ocultação dos corpos

11 de Agosto de 2025
Foto: Divulgação

Escutas ambientais instaladas em uma cela permitiram à Polícia Federal (PF) incriminar Rúben Dario Villar, conhecido como “Colômbia”, apontado como mandante das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Trechos das gravações foram exibidos pelo programa Fantástico no último domingo (10).

Segundo a PF, “Colômbia” dividiu cela em agosto de 2022 com Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, e Jefferson da Silva Lima, ambos assassinos confessos de Bruno e Dom. Com autorização judicial, agentes instalaram os dispositivos para monitorar as conversas no local.

Nas gravações, “Colômbia” fez afirmações que reforçam sua ligação com os homicídios. Em um trecho, disse: “Eu tenho medo de falar aqui”. Em outro momento, mencionou a venda de cartuchos para Amarildo, mesmo demonstrando receio de estar sendo gravado.

A PF afirma que as escutas também indicam que “Colômbia” financiou a execução e entregou munição aos assassinos. As investigações apontam que ele liderava uma quadrilha envolvida com pesca ilegal em terras indígenas, atividade que gerava conflitos com comunidades locais e servidores da Funai.

Amarildo e Jefferson foram gravados combinando alterar a versão sobre o disparo que matou Bruno. Jefferson chegou a admitir que falou que o tiro foi pelas costas, mas Amarildo sugeriu mudar para “pelo lado” e reforçou a necessidade de excluir outros envolvidos para evitar acusação de formação de quadrilha.

Os áudios ainda revelam destruição de provas. Amarildo disse que ordenou a um menor que jogasse uma espingarda no rio. Segundo a PF, Jefferson foi o primeiro a atirar em Bruno, pelas costas, fazendo-o perder o controle da embarcação. Amarildo teria atirado em Dom, que morreu na hora, enquanto Bruno recebeu o tiro fatal de Jefferson.

De acordo com o delegado Sávio Pinzon, “Colômbia” encomendou a morte de Bruno para evitar prejuízos a suas atividades ilícitas: “Ele queria se vingar e desejava que Bruno fosse eliminado para que não causasse prejuízo à pesca ilegal”.

Amarildo e Jefferson são réus confessos da execução e ocultação dos corpos. “Colômbia” nega envolvimento, mas será julgado separadamente como mandante. Desde 2022, ele está preso, junto a outros oito indiciados pela PF por participação direta ou indireta no crime.

Bruno Pereira desapareceu com Dom Phillips em 5 de junho de 2022, durante uma viagem no Vale do Javari. Os corpos foram encontrados dez dias depois, com sinais de tiros, esquartejamento, queima e enterro. Bruno era defensor dos povos indígenas e atuava na fiscalização contra invasores. Dom, correspondente do The Guardian, vivia no Brasil há 15 anos e preparava um livro sobre a Amazônia.

A amizade entre os dois começou em 2018, durante uma reportagem para o Guardian. Juntos, participaram de uma expedição de 17 dias pela Terra Indígena Vale do Javari, região com uma das maiores concentrações de povos isolados do mundo, cenário que se tornaria palco da tragédia que chocou o país e o mundo.

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