Cultura

Escola Bolshoi no Brasil celebra 25 anos formando talentos na dança

De ex-alunos a referências internacionais, a trajetória da instituição é marcada por sonhos e conquistas

30 de Marco de 2025
Foto: Bruno Miranda / Arquivo Pessoal

A Escola do Teatro Bolshoi no Brasil comemora 25 anos de história, consolidando-se como um dos maiores centros de formação de bailarinos do país. Fundada em 15 de março de 2000, em Joinville (SC), a instituição é a única filial no mundo do renomado Teatro Bolshoi da Rússia. Desde então, tem transformado vidas ao oferecer oportunidades a jovens talentos por meio de bolsas de estudo integrais e uma formação de excelência. 

Da infância à consagração: a jornada de Bruno Miranda 

Bruno Miranda era apenas uma criança quando descobriu a dança, em 2000. Participante do Projeto Dançando na Escola, em uma instituição pública de Santa Catarina, ele teve o primeiro contato com o balé por meio de sua professora, que também trabalhava na recém-inaugurada Escola Bolshoi no Brasil. No ano seguinte, com incentivo da família, ele ingressou na escola. 

Desde então, sua trajetória e a do Bolshoi se entrelaçaram. Bruno se tornou um dos nomes de destaque da dança nacional e internacional. “Parece clichê falar isso, mas o Bolshoi representa a minha vida. Eu não estaria onde estou hoje, morando na África do Sul, em Joanesburgo, trabalhando com balé e com dança, se não fosse o Bolshoi”, declarou, em entrevista à Agência Brasil. 

A história de Bruno é marcada por desafios. Vindo de uma família humilde, contou com o apoio da mãe e da tia, que pegou dinheiro emprestado para levá-lo à audição de seleção. Após 11 anos na escola – oito como aluno e quase três na Cia Jovem da ETBB –, conquistou seu primeiro contrato profissional em 2009. Depois, trabalhou com Deborah Colker no Rio de Janeiro e integrou a Cia Sesc de Dança, em Belo Horizonte. 

Hoje, Bruno é bailarino, professor e coreógrafo do Joburg Ballet, na África do Sul, onde também atua como produtor. Ele ressalta que sua formação no Bolshoi foi muito além do balé clássico. “Aprendi sobre música, teatro e até inglês dentro da escola. A dança me trouxe uma consciência sobre o corpo que me levou a estudar gastronomia e, agora, estou terminando a graduação em nutrição. Quero ajudar bailarinos com suporte especializado na área”, afirmou. 

Mesmo distante, sua conexão com a escola segue forte. “Até hoje, quando volto ao Bolshoi, os alunos sabem quem sou. Isso me emociona, porque mostra que minha trajetória continua inspirando novas gerações”, disse. 

A primeira turma e o legado da Escola Bolshoi 

Outra história que simboliza os 25 anos da instituição é a de Maikon Golini, ex-aluno da primeira turma e atual professor e assessor artístico da escola. Com 15 anos dedicados à equipe pedagógica, ele acompanhou de perto a evolução da instituição desde os primeiros anos. 

“Sempre gostei de dançar, mas não sabia que poderia ser uma profissão. Foi no Bolshoi que percebi que poderia seguir carreira”, recorda Maikon, que ingressou em 2000, aos 7 anos. Ele destaca o impacto da escola no cenário artístico. “No início, ninguém sabia o que era o Bolshoi no Brasil. Hoje, vemos a dimensão do que construímos. Com 25 anos, a instituição se consolidou e continua gerando frutos”. 

A seleção para ingressar no Bolshoi é uma das mais concorridas do país. Os alunos aprovados recebem bolsa integral e passam por uma formação de oito anos, que os capacita para os palcos internacionais. “O Brasil ainda não valoriza a dança como profissão, mas o Bolshoi profissionaliza os alunos em um nível altíssimo. Hoje, temos um índice de empregabilidade de 74%, com quase 500 bailarinos formados atuando no mundo todo”, explica Maikon. 

A escola recebe alunos de diversos estados brasileiros e de países da América Latina, além da Rússia. Para muitos, a formação no Bolshoi representa uma mudança de vida. “Temos crianças vindas de comunidades carentes, que encontram na arte um novo futuro. A cultura tem esse poder transformador”, reflete. 

Além da bolsa, as famílias precisam arcar com moradia e alimentação. Para ajudar, surgiram as “mães sociais”, mulheres que acolhem alunos em suas casas, formando verdadeiras comunidades de apoio. “O comprometimento da família é essencial. Não é só o aluno que se torna Bolshoi, mas toda a comunidade ao seu redor”, ressalta Maikon. 

O futuro do Bolshoi no Brasil 

Após 25 anos formando talentos, a Escola Bolshoi no Brasil continua crescendo e se consolidando como uma referência na dança. Com uma proposta inclusiva e multicultural, a instituição segue transformando vidas e levando a arte para além dos palcos. 

O legado da escola não se limita ao ensino da dança, mas à construção de histórias inspiradoras, como as de Bruno e Maikon, que mostram que o Bolshoi é, mais do que uma escola, um verdadeiro berço de sonhos. 

 

 

Com informações da Agência Brasil. 

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