A justificativa da prefeitura de Manaus é que o aumento visa garantir o equilíbrio financeiro do sistema de transporte público e assegurar a continuidade dos serviços prestados
O aumento das tarifas de ônibus em Manaus provocou reação de entidades empresariais e conselhos profissionais. Em nota conjunta, 16 instituições afirmaram que o reajuste “compromete a renda do trabalhador e provoca efeitos negativos em cadeia sobre o comércio, os serviços e a indústria”. A medida altera valores pagos por trabalhadores, estudantes e usuários do transporte público.
Segundo a nova regra, trabalhadores que utilizam vale-transporte, custeado pelas empresas, passam a pagar o valor integral de R$ 6 por viagem. Passageiros que usam o Cartão PassaFácil ou pagam em dinheiro terão desconto de R$ 1, pagando R$ 5. Já os estudantes que não têm gratuidade continuam pagando R$ 2,50.
As entidades signatárias destacaram que o reajuste foi realizado sem diálogo com o setor produtivo e sem qualquer escalonamento. O documento defende que uma tarifa intermediária, como R$ 5, poderia ter sido uma alternativa para reduzir os impactos sociais e econômicos da mudança.
De acordo com a nota, a legislação permite que até 6% do salário base do trabalhador seja descontado para custear o vale-transporte. Com a nova tarifa, esse limite representa uma parcela mais significativa da renda mensal dos empregados, afetando diretamente o poder de compra das famílias.

As instituições alertam ainda que os custos adicionais devem ser absorvidos pelas empresas e, inevitavelmente, repassados ao consumidor final. Isso pode gerar um efeito dominó na economia local, com redução do consumo e queda na atividade do comércio e dos serviços.
“O efeito é em cadeia: menos renda, menos consumo, menos atividade no comércio e nos serviços”, diz o texto assinado pelas instituições. Como exemplo, é citado um trabalhador com salário de R$ 2 mil, que poderá ter até R$ 120 descontados mensalmente com o novo valor do vale-transporte.
O aumento da tarifa também representa um desafio adicional para micro e pequenas empresas, que possuem menor margem financeira para absorver esse tipo de despesa. O reajuste eleva os custos operacionais e compromete a sustentabilidade de diversos empreendimentos locais.
A justificativa da prefeitura de Manaus é que o aumento visa garantir o equilíbrio financeiro do sistema de transporte público e assegurar a continuidade dos serviços prestados à população da capital amazonense.