Campanha acusa integrante da Secom de divulgar informação falsa; associação com candidata surgiu a partir de projeto antigo que não foi apresentado por Flávio.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pediu à Justiça Eleitoral a prisão preventiva e a realização de busca e apreensão contra George Marques, coordenador-geral da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. A solicitação foi apresentada após uma publicação relacionada à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida e a suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
Como começou a polêmica
A controvérsia teve início depois que passou a circular nas redes sociais a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato negou a afirmação e, posteriormente, o ministro André Mendonça determinou a retirada de conteúdos que faziam essa associação.
Segundo a defesa de Flávio, George Marques teria republicado um conteúdo que incentivava a continuidade da divulgação dessa informação mesmo após a circulação de retratações. A postagem foi apagada posteriormente, mas a campanha sustenta que a republicação teria contribuído para manter a desinformação em circulação durante o período eleitoral.
A defesa do candidato argumenta que a conduta pode configurar divulgação de informação falsa em contexto eleitoral e, por isso, pediu medidas mais duras à Justiça. O Palácio do Planalto afirmou que a manifestação foi feita em perfil pessoal, fora do horário de expediente e sem uso de equipamentos ou recursos do governo.
De onde surgiu a associação
A origem da discussão remonta a um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli. O PL 2.623/2007 propunha alterar a legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto também previa trocar a referência a “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.
O projeto, porém, não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e atualmente está arquivado na Câmara dos Deputados. Durante a tramitação, a proposta recebeu parecer pela rejeição na Comissão de Educação e Cultura, aprovado por unanimidade.
A associação com Flávio ganhou novo impulso após publicações utilizarem, fora de contexto, uma declaração feita por ele em agosto, quando afirmou que, se eleito presidente, decretaria que o Brasil seria “do Senhor Jesus Cristo”. O conteúdo foi usado para sugerir uma ligação entre o candidato e a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida, embora Flávio tenha negado qualquer intenção nesse sentido.