Decisão ocorre em meio a guerra e críticas no Golfo
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram na terça-feira a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, em meio ao cenário de instabilidade provocado pela guerra envolvendo o Irã. A medida representa um duro golpe ao grupo exportador e pode impactar o equilíbrio do mercado global de energia.
Segundo autoridades do país, a decisão foi tomada após análise das estratégias energéticas atuais e futuras. O ministro de Energia, Suhail Mohamed al-Mazrouei, afirmou que a medida é de caráter político e que não houve consulta prévia a outros países, incluindo a Arábia Saudita, principal liderança da organização.
A saída dos Emirados, membro histórico da Opep, pode enfraquecer a coesão do bloco, que tradicionalmente busca atuar de forma unificada, apesar de divergências internas sobre temas como geopolítica e cotas de produção. A decisão também ocorre em um momento de choque energético global, agravado pelo conflito no Oriente Médio.
O movimento foi acompanhado de críticas dentro da região. Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente emiradense, afirmou que a resposta dos países do Golfo aos ataques iranianos tem sido insuficiente. Segundo ele, o apoio tem sido mais logístico do que político e militar, classificando a atuação como historicamente fraca.
A saída também foi vista como uma vitória política para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já havia criticado a Opep por influenciar os preços do petróleo. O líder americano afirmou que, apesar do apoio militar dos EUA aos países do Golfo, os membros da organização “exploram isso impondo altos preços do petróleo”.