O sistema eleitoral americano possui especificidades que o tornam diferente do brasileiro, incluindo o uso de delegados no lugar da maioria de votos próprios
As eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2024 ocorrerão no dia 5 de novembro, mantendo a tradição de serem realizadas na primeira terça-feira do mês. A atual vice-presidente Kamala Harris, pelo Partido Democrata, e o ex-presidente Donald Trump, pelo Partido Republicano, disputaram o cargo mais alto do país. O sistema eleitoral americano possui especificidades que o tornam diferente do brasileiro, incluindo o uso de delegados no lugar da maioria de votos próprios.
O processo de escolha do presidente é indireto, ou seja, são eleitos delegados que, posteriormente, votam nos candidatos. Ao todo, o Colégio Eleitoral é composto por 538 delegados, e o candidato vencedor precisa obter 270 votos para vencer a eleição. Estados com maior população, como Califórnia e Texas, possuem mais delegados, enquanto Delaware e Wyoming têm apenas três, o mínimo permitido.
Outro elemento distinto das eleições americanas é o voto facultativo, o que significa que os participantes não são obrigados a comparecer às urnas. Antes da eleição geral, são realizadas as primárias, nas quais cada partido escolhe seu candidato. Nesse processo, os participantes têm a oportunidade de participar desde o início, podendo votar em primários ou participar de caucus, assembleias públicas para definição dos candidatos.
Primárias e Caucus
Nas primárias, os eleitores vão ao local de votação e escolhem o seu candidato de forma secreta, por meio de uma cédula depositada na urna. Enquanto no caucus, o eleitor se reúne em uma espécie de assembleia e o voto normalmente é público. Tanto nas primárias quanto no caucus, a disputa acontece entre candidatos do mesmo partido que competem entre si. O vencedor dessa etapa é quem efetivamente concorrerá na eleição presidencial realizada em novembro.
A disputa presidencial também foi marcada pelos chamados "estados-pêndulo", aqueles que se alternam entre apoio a republicanos e democratas. Entre eles estão Pensilvânia, Ohio e Geórgia, considerados cruciais para o resultado eleitoral. Os candidatos concentram suas campanhas nesses locais devido ao impacto que têm no Colégio Eleitoral.
Nem sempre quem 'ganha' leva
No sistema do Colégio Eleitoral, o candidato que for o mais votado de um estado leva todos os delegados da área. Isso vale mesmo que ele vença por apenas um voto de diferença. Desta forma, pode acontecer que um candidato tenha a maioria dos votos populares a partir do ponto de vista nacional, mas, na soma do Colégio Eleitoral, seja derrotado.
Ao longo da história, casos de candidatos que venceram o voto popular, mas perdidos no Colégio Eleitoral são comuns. Em 2016, por exemplo, Hillary Clinton teve mais votos que Trump, mas foi ele o eleito, com 306 votos de delegados. Esse sistema foi desenhado para equilibrar a influência dos estados com menor população frente aos mais populosos.
As eleições nos Estados Unidos são complexas e frequentemente alvo de controvérsias, especialmente em relação à representatividade do Colégio Eleitoral. Além disso, a possibilidade de um candidato vencer sem ter a maioria do voto popular levanta discussões sobre a efetividade desse modelo no cenário atual da democracia americana.