Ex-participante Shandi Sullivan diz que episódio exibido como “escândalo” pode ter sido agressão sexual e critica a produção do reality.
Nova série documental da Netflix Reality Check: Inside America’s Next Top Model, revisita momentos controversos da história do reality America’s Next Top Model e traz relatos inéditos de bastidores que levantam questionamentos sobre ética e segurança dos participantes. Um dos casos mais marcados envolve a ex-concorrente Shandi Sullivan, que participou da segunda temporada do programa em 2003.
No terceiro episódio da série, Sullivan, hoje empresária, relata um episódio ocorrido durante uma viagem do reality a Milão (Itália), onde a produção organizou encontros entre as participantes e modelos locais. Na nova perspectiva apresentada, o que foi originalmente retratado como um “escândalo de traição” em um episódio influente do programa foi vivido por ela de forma traumática e, segundo o seu relato, se assemelha a uma agressão sexual. Ela afirma ter ingerido álcool em excesso, “apagado” por boa parte da noite e acordado com um dos modelos em cima dela, sem lembrar ou poder consentir com o ocorrido.
No documentário, Sullivan critica diretamente a produção por não interromper a situação, que foi registrada em vídeo e posteriormente editada para narrativa do programa. Ela também conta que a produção apenas permitiu a ela fazer uma ligação para o namorado que foi filmada e que foi recompensada com cenas dramáticas que exploraram o evento ao invés de receber apoio ou privacidade.
A série inclui entrevistas com membros da produção original, incluindo o produtor executivo Ken Mok, que defendeu a decisão de manter câmeras em todos os momentos por tratar o reality show como um documentário. Já a apresentadora e co-criadora Tyra Banks aparece na produção, mas evita assumir responsabilidade direta sobre as decisões de bastidores relacionadas ao caso.
Além do caso de Sullivan, Reality Check explora outros episódios questionados da história do programa, incluindo desafios e situações que muitos participantes consideram exploratórias ou prejudiciais. A docuseries revive o impacto cultural do reality e levanta o debate sobre os limites éticos da televisão de competição e a responsabilidade de proteger a integridade física e emocional dos envolvidos.