Terça-Feira, (03 de Novembro de 2026)
Ciência e Tecnologia

DNA revela viagem surpreendente de 7 mil quilômetros que povoou o Havaí

Estudo publicado na revista Science aponta que antigos navegadores da Ilha de Páscoa teriam atravessado o Oceano Pacífico há cerca de 800 anos, deixando marcas genéticas nos havaianos nativos.

Por: Portal Amz em Pauta
03 de Novembro de 2026
Foto: Papah?naumoku?kea Marine National Monument

Uma nova pesquisa genética revelou evidências de uma das mais impressionantes travessias marítimas da história da humanidade. Segundo um estudo publicado na revista científica Science, ancestrais dos atuais habitantes do Havaí teriam partido da Ilha de Páscoa, também conhecida como Rapa Nui, no Oceano Pacífico, percorrendo mais de 7.100 quilômetros em canoas tradicionais de casco duplo. A descoberta sugere que navegadores polinésios realizaram essa jornada no século 13, muito antes das grandes expedições marítimas europeias.

A investigação foi conduzida por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo a Universidade Stanford, nos Estados Unidos. A equipe analisou o DNA de mais de mil pessoas de diversas ilhas da Polinésia para reconstruir antigas relações de parentesco e identificar os caminhos percorridos pelas populações que ocuparam o Pacífico. Os resultados apontaram uma proximidade genética especialmente forte entre os havaianos nativos e os habitantes de Rapa Nui.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram sequências completas do genoma e ferramentas computacionais capazes de identificar trechos de DNA compartilhados entre indivíduos de diferentes regiões. Em aproximadamente 61% das árvores genealógicas reconstruídas, as populações do Havaí e da Ilha de Páscoa apareceram como os grupos mais próximos. O resultado fortalece a hipótese de que ambas compartilham uma população ancestral de navegadores de longa distância.

Os dados também indicam que os ancestrais dos habitantes de Rapa Nui chegaram à ilha após partir de Mangareva, na Polinésia Francesa, enfrentando uma travessia superior a 2.400 quilômetros. Posteriormente, parte desses navegadores teria continuado sua expansão em direção ao Havaí. Os pesquisadores estimam que essas migrações ocorreram durante o século 13, embora a rota exata e as circunstâncias das viagens ainda dependam de novas investigações.

A jornada exigia conhecimentos avançados de navegação, observação das estrelas, correntes marítimas e ventos. Utilizando grandes canoas à vela com dois cascos, os polinésios conseguiam atravessar extensas áreas oceânicas e transportar suprimentos para estabelecer comunidades em novas terras. Entre os produtos levados estavam bananas, taro, batata-doce e animais como galinhas, essenciais para garantir alimento após a chegada às ilhas.

Além de revelar informações sobre o povoamento do Havaí, o estudo identificou características genéticas importantes para a saúde das populações polinésias. Como pequenos grupos de pessoas fundavam novas comunidades ao longo das expedições, parte da diversidade genética original era reduzida. Esse fenômeno, conhecido como efeito fundador, pode aumentar a frequência de variantes genéticas raras, algumas associadas a determinadas doenças.

Os cientistas identificaram, por exemplo, variantes relacionadas a problemas renais e oculares que aparecem com frequência elevada em algumas populações da Polinésia. A descoberta pode contribuir para futuras pesquisas médicas e para o desenvolvimento de estratégias de acompanhamento de saúde mais adequadas às características genéticas dessas comunidades.

A pesquisa também permitiu estimar que aproximadamente 800 pessoas em idade reprodutiva participaram da formação da população ancestral do Taiti, por volta do ano 1070. O resultado ajuda a compreender como pequenas comunidades conseguiram se estabelecer e crescer em ilhas distantes, mesmo enfrentando enormes desafios de navegação, alimentação e sobrevivência.

 

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