Data valoriza tradições nacionais e convida o público a redescobrir o mito amazônico.
O Dia do Saci Pererê, celebrado nesta sexta-feira, 31 de outubro, propõe uma reflexão sobre as raízes culturais brasileiras e a valorização do folclore nacional diante da crescente influência do Halloween. No Bosque Vandete Rocha, em Manaus, a atmosfera da floresta serviu como cenário para relembrar o personagem que mistura mistério, humor e travessura.
A data, criada em 2003 e oficializada em 2013, busca reforçar a importância de figuras que habitam o imaginário popular, como o Caipora, Matinta Perera, o Boto, a Yara e, claro, o Saci Pererê.
Lendas amazônicas (Foto: Reprodução / Bosque Vandete Rocha - IPAAM)
O educador ambiental Arivelto Marical explicou que os seres encantados da floresta amazônica têm um papel fundamental na proteção do meio ambiente e na conscientização das novas gerações sobre o respeito à natureza.
Segundo ele, a Caipora é uma das grandes guardiãs da mata. “A Caipora também é uma mulher de pele negra, de olhos vermelhos, que é uma das nossas protetoras da floresta. Ela persegue os caçadores malvados que fazem mal para a nossa fauna amazônica”, destacou.
Arivelto lembra que, para o imaginário popular, a Caipora representa a força da floresta viva. “Não é para fazer a mortandade dos nossos animais silvestres. Eles também fazem parte da nossa floresta. Cada anta, cada paca, cada animalzinho desse que vive aqui na floresta tem uma função no nosso bioma amazônico”, afirmou.
O educador também falou sobre outras figuras do folclore amazônico, como a Matinta Perera, descrita por ele como uma idosa de hábitos noturnos. “Aqui nesse ponto do bosque, nós podemos sentir a presença da Matinta Perera. É uma senhora idosa, de canto sombrio, que faz voos rasantes quando sente o cheiro de perigo na floresta. Quando está zangada, ela solta um vento forte e branco pelo nariz. Ela não gosta dos caçadores nem dos serralheiros que vêm fazer maldade com a floresta amazônica”, relatou.
Nos rios, Arivelto lembrou a importância do Boto, símbolo de encanto e proteção. “O Boto também é o nosso protetor dos rios. Ele cuida da fauna aquática. Tem várias histórias de pescadores que já viram o Boto se transformar em um homem bonito, charmoso, para encantar as meninas do beiradão”, disse.
Ele acrescentou que outra protetora das águas é a Yara, conhecida como Mãe d’Água. “Quem faz esse canto maravilhoso é a Yara. Ela é a grande protetora dos nossos rios, lagos e igarapés. Com seu canto, ela atrai os pescadores malvados, aqueles que pescam de forma irregular e capturam peixinhos pequenos”, explicou.
Ao final, o educador resumiu a mensagem de harmonia com a natureza: “Toda vez que falamos em meio ambiente, falamos da nossa fauna e da nossa flora. A Mãe Natureza só pede isso, equilíbrio e respeito.”
Saci Pererê (Foto: Divulgação / Bosque Vandete Rocha - IPAAM)
O Saci tem muitas versões pelo Brasil. A mais antiga vem dos povos indígenas tupi-guarani, que já contavam histórias sobre um ser travesso que vivia nas matas, protegido por redemoinhos. Com o passar do tempo, a figura foi misturada à cultura africana, ganhando o gorro vermelho, símbolo herdado das lendas do sul da África, e a perna só, resultado de uma das muitas explicações folclóricas para sua origem.
O Saci é uma mistura viva de culturas. É indígena na origem, africano nas lendas e brasileiro na alma. É por isso que o Dia do Saci não é apenas uma data simbólica, é um convite para conhecer melhor as histórias que nasceram aqui, nas florestas e nas margens dos rios.”
Neste 31 de outubro, que tal abrir espaço para o nosso mito travesso? O Saci continua pulando por aí, lembrando que o Brasil tem histórias que valem, e muito, ser contadas.