Brasil

Dia do Professor: histórias de quem transforma a educação no Amazonas

Docentes da rede estadual celebram a data com relatos de superação, paixão e compromisso com o ensino.

15 de Outubro de 2025
Foto: Euzivaldo Queiroz / Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar

Celebrado nesta quarta-feira (15/10), o Dia do Professor é uma oportunidade de reconhecer o trabalho de profissionais que fazem da sala de aula um espaço de transformação, cultura e cidadania. Na rede estadual do Amazonas, educadores de diferentes gerações compartilham suas trajetórias, desafios e conquistas que inspiram o futuro da educação.

51 anos de dedicação ao ensino

A professora Cacilda Siqueira, há 51 anos na rede estadual, leciona Língua Portuguesa e Matemática na Escola Estadual Duque de Caxias, para alunos do Ensino Fundamental I. Para ela, o tempo fortaleceu as convicções e o amor pela profissão.

“Me sinto realizada. A aprendizagem molda a forma com que eles enxergam o mundo, e poder contribuir com esse processo é gratificante. São muitos anos me dedicando de corpo e alma, é um sentimento de nobreza”, compartilhou.

Do sertão pernambucano ao coração da Amazônia

Natural de Serra Talhada (PE), Socorro Lima trocou o interior de Pernambuco por Presidente Figueiredo, em 1994. Há 31 anos, leciona na Escola Estadual Maria Calderaro, onde encontrou na docência sua verdadeira vocação.

“Eu era criança e escrevia poemas sobre o verde, sobre a vitória-régia, sobre coisas que eu nunca tinha visto, apenas lido. Quando tive a oportunidade de vivenciar, não pensei duas vezes. Ser professora em Presidente Figueiredo é estar completa. É a junção de duas paixões, de propósitos de vida”, afirmou.

Socorro une literatura e temas amazônicos em suas aulas, incentivando a leitura, a escrita e o preparo para o Enem. “Acho que o papel do professor é ser um ponto de orientação no destino de alguém”, completou.

A herança familiar e o amor pela Química

Filha de professores de Matemática, Jaciara Lira tentou seguir outro caminho antes de se reencontrar com a docência. Hoje, no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), ensina Química e vê na profissão uma síntese entre vocação e propósito.

“Nossa carreira enquanto docente é uma grande mistura daquilo em que somos bons, com aquilo que gostamos de fazer, e mais aquilo que é necessário, o que todos precisam. Nosso trabalho é equilibrar esses três elos para que eles sejam cada vez mais convergentes. Ser professora é um alento”, destacou.

A educação como reparação e libertação

A trajetória de Leidenice Pereira é marcada pela superação. Vítima de racismo aos seis anos, ela abandonou a escola no 6º ano. Anos depois, ao trabalhar como doméstica, teve o incentivo de uma patroa para se inscrever em um concurso da Secretaria de Educação e foi aprovada como merendeira.

A partir daí, retomou os estudos, concluiu o EJA e ingressou na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para cursar Letras - Língua Portuguesa. Hoje, leciona na Escola Estadual Professor Rofran Belchior da Silva.

“Para mim, ser professora é um sentimento de dever cumprido. É uma vitória pessoal. A minha atuação enquanto docente tem como princípios norteadores a empatia, o aprimoramento de conhecimento e respeito pelas diferenças, sejam elas quais forem. A educação não pode ser negada nunca para ninguém”, afirmou.

As histórias dessas quatro educadoras simbolizam o protagonismo, a resistência e a paixão de quem faz da educação um instrumento de transformação social no Amazonas.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.