A data homenageia a “Carta de São Vicente”, escrita em 1560 pelo Padre Anchieta, considerada o primeiro registro das florestas tropicais brasileiras.
Comemorado em 27 de maio, o Dia Nacional da Mata Atlântica reforça a importância de conservar um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo. A data homenageia a “Carta de São Vicente”, escrita em 1560 pelo Padre Anchieta, considerada o primeiro registro das florestas tropicais brasileiras. Instituído por decreto em 1999, o dia tem como objetivo sensibilizar a população para a preservação e restauração desse ecossistema.
Apesar das ameaças históricas, os dados mais recentes revelam sinais positivos. O desmatamento da Mata Atlântica caiu 25% em Minas Gerais entre 2023 e 2024, segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF). A área desmatada passou de 10.030 hectares para 7.451, sendo que apenas 420 hectares possuíam autorização legal. O resultado é fruto de ações intensas de fiscalização, modernização do monitoramento e envolvimento das comunidades locais.
A redução também foi confirmada pela Fundação SOS Mata Atlântica, que apontou queda de 24,2% no Estado, acima da média nacional de 14%. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, o monitoramento contínuo permite detectar rapidamente áreas sob pressão e direcionar políticas públicas eficazes.
Minas tem investido fortemente na restauração ambiental. Um exemplo é o Tratado da Mata Atlântica, assinado em 2023, que prevê o plantio de sete milhões de árvores nativas até 2026. O Estado possui 11,1 milhões de hectares do bioma e figura entre os líderes em iniciativas sustentáveis.
Na Paraíba, a Mata Atlântica ocupa 19.640,3 hectares distribuídos em oito unidades de conservação estaduais, sendo cinco de proteção integral e três de uso sustentável. Áreas como o Parque Estadual Mata do Pau Ferro e a Estação Ecológica do Pau-Brasil são fundamentais para a manutenção da biodiversidade local.
O bioma é responsável por regular o clima, abastecer reservas hídricas e abrigar 60% das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Com apenas 7% da vegetação original preservada, a Mata Atlântica é considerada um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, mas também um dos mais estudados e restaurados.
Instituições como o Instituto Terra, fundado por Sebastião Salgado, têm mostrado que é possível reverter o quadro de degradação. Em Aimorés (MG), mais de 4,8 mil hectares já foram restaurados, transformando a cidade em símbolo nacional de recuperação florestal.
Com a COP30 se aproximando, organizações como a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura defendem a restauração em larga escala como estratégia essencial para conter as mudanças climáticas. O Dia da Mata Atlântica, portanto, é mais que uma celebração: é um chamado à ação para proteger o que ainda resta e recuperar o que foi perdido.