Meio Ambiente

Desmatamento recua na Mata Atlântica, mas ameaças permanecem com agropecuária expansiva

Apesar da queda na área total desmatada em 2024, perdas em matas maduras, emissões de carbono e avanço sobre áreas críticas preocupam especialistas da SOS Mata Atlântica.

12 de Maio de 2025
Foto: Polícia Federal / Divulgação

A área desmatada da Mata Atlântica teve uma redução de 14% em 2024, mas o desmatamento de matas maduras — que possuem alta biodiversidade e armazenam carbono — caiu apenas 2%, segundo dados do Atlas da Mata Atlântica e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), divulgados nesta segunda-feira (12) pela Fundação SOS Mata Atlântica. 

A fundação considera o recuo pequeno diante da meta do desmatamento zero. As perdas seguem significativas em áreas críticas e avançam sobre vegetações maduras, essenciais para a regulação do clima. 

Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da SOS Mata Atlântica, alerta: “No contexto das crises globais do clima e da biodiversidade, das tragédias ambientais e das recorrentes crises hídricas no Brasil, a degradação da Mata Atlântica amplia o risco de colapso dos serviços ecossistêmicos essenciais à nossa qualidade de vida, à segurança alimentar e à economia do país”. 

O Atlas, coordenado pela fundação e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), registrou uma perda de vegetação que passou de 14.697 ha (2023) para 14.366 ha (2024). Isso gerou a emissão de 6,87 milhões de toneladas de CO2 equivalente, semelhante à emissão anual do Distrito Federal. 

O SAD, desenvolvido com o MapBiomas, apontou uma queda de 14% no desmatamento, com 71.109 ha devastados em 2024. O número de alertas caiu, mas o tamanho médio por evento aumentou de 11,2 ha para 12,5 ha, indicando supressões maiores e mais concentradas. Piauí e Bahia lideram em desmatamento, com 26.030 e 23.218 ha, respectivamente. 

A expansão da agropecuária segue como principal vetor. Mais de 70% das áreas desmatadas estão em terras privadas ou sem regularização fundiária. Para Guedes Pinto, é necessário aplicar a Lei da Mata Atlântica, que só permite o desmatamento em casos excepcionais: 

“A grande dificuldade é a prevenção e a fiscalização do desmatamento ilegal, que é a maior parte do desmatamento que ocorre na Mata Atlântica”, afirmou. “A outra dificuldade é que a gente ainda financia a agropecuária que tem desmatamento ilegal (…) basicamente a gente não tem nem o Estado nem o setor privado fazendo o seu papel”. 

No Rio Grande do Sul, o desmatamento subiu, causado por deslizamentos de terra devido às chuvas de maio de 2023. Foram 3.307 ha perdidos por causas naturais, ante 962 ha no ano anterior. Regiões com declive acentuado, como a Serra do Mar e serras do RJ e RS, são as mais afetadas. 

“São regiões com declividade muito alta e solo raso (…) E fica aquela imagem daquele solo exposto nos morros de onde a floresta escorregou”, explicou Guedes Pinto. 

Eventos extremos também atingiram áreas protegidas em SP e RJ. O diretor conclui: “É urgente ampliar o foco da proteção ambiental. O desmatamento provocado por efeitos climáticos já é mensurável e ameaça até mesmo Unidades de Conservação. Se não houver ação coordenada entre proteção, uso da terra e adaptação climática, continuaremos repetindo a equação do desastre”. 

 

Com informações da Agência Brasil.

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