Dados do Inpe mostram redução histórica na devastação da floresta. No Amazonas, a área desmatada caiu 46,4% em um ano, alcançando o menor patamar da última década.
A Amazônia registrou o menor índice de desmatamento desde o início do monitoramento por satélite, em 1988. Segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram desmatados 3.335 quilômetros quadrados (km²) entre agosto de 2025 e julho de 2026. O resultado representa uma redução acumulada de 71,2% nos últimos quatro anos e marca um novo patamar na preservação da floresta.
Em comparação com o período anterior, quando foram registrados 5.731 km² de desmatamento, a queda foi de 41,8%. O novo resultado também ficou abaixo do menor índice registrado anteriormente, em 2012, quando a área devastada chegou a 4.571 km². Os números indicam uma redução significativa da perda de vegetação nativa em um dos biomas mais importantes para o equilíbrio climático do planeta.
No Amazonas, os dados também apontam uma queda expressiva. A área desmatada passou de 979 km², em 2025, para 525 km² em 2026, uma redução de 46,4%. O resultado é o menor registrado no estado nos últimos dez anos. Em comparação com 2021, quando a devastação alcançou 2.594 km², a diminuição acumulada chega a aproximadamente 80%.
Apesar da redução, o Amazonas permanece entre os três estados com as maiores áreas desmatadas da Amazônia Legal, respondendo por cerca de 15,7% do total registrado em 2026. O Pará lidera o levantamento, com 1.130 km², seguido por Mato Grosso, com 849 km². O Amazonas aparece na terceira posição, com 525 km².
A diminuição ocorre em um cenário de fortalecimento das políticas de proteção ambiental, com ações de fiscalização, monitoramento por satélite e combate a atividades ilegais. Órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atuam no enfrentamento ao desmatamento irregular, à exploração ilegal de madeira e a outros crimes ambientais. Embora os resultados indiquem avanços, a redução não pode ser atribuída a uma única medida.
O Cerrado também apresentou resultados históricos. Segundo o Prodes 2026, o bioma registrou 5.516,69 km² de vegetação nativa desmatada, o menor índice da série histórica iniciada em 2001. A redução foi de 23,8% em relação ao período anterior e chegou a 48,4% no acumulado dos últimos quatro anos.
Mesmo com os resultados positivos, a devastação continua representando uma ameaça à biodiversidade, aos recursos hídricos e às comunidades que dependem diretamente da floresta. Especialistas e instituições ambientais destacam a necessidade de manter a fiscalização e ampliar alternativas econômicas sustentáveis para evitar o avanço de atividades ilegais em áreas vulneráveis.
Os dados de 2026 reforçam a importância do monitoramento científico e da continuidade das políticas públicas de proteção ambiental. O desafio agora é consolidar a redução do desmatamento nos próximos anos, garantindo que a preservação da floresta amazônica seja acompanhada de desenvolvimento sustentável e melhores condições de vida para a população da região.