“É urgente, portanto, que a preservação desses biomas seja finalmente vista de maneira integrada, com políticas articuladas (...)”
A taxa de desmatamento da Amazônia Legal em 2024 foi de 6.288 km², uma queda de 30,6% em comparação ao período anterior. No Cerrado, também houve uma redução significativa, de 25,7%, mas o desmatamento ainda se mantém em níveis preocupantes, com uma taxa de 8.174 km². Esses dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e se referem ao período de agosto de 2023 a julho de 2024.
Após anos de aumento, as taxas de desmatamento na Amazônia vêm caindo desde 2022, uma tendência que pode contribuir para a imagem do Brasil no mercado internacional em relação à sustentabilidade. Essa redução está ligada aos esforços de controle da destruição das florestas, como a criação de uma secretaria federal específica para o controle do desmatamento e a retomada do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM), que tem sido historicamente eficaz na redução da devastação.
O desmatamento no bioma amazônico caiu para o menor índice dos últimos nove anos, com Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Pará entre os estados que mais reduziram as taxas. Contudo, estados como Pará, Amazonas e Mato Grosso lideraram a destruição com áreas de 2.362 km², 1.143 km² e 1.124 km² desmatadas, respectivamente. Em Roraima, o desmatamento aumentou 53,5% em relação ao período anterior, um sinal de alerta para a região.
No Cerrado, o desmatamento caiu pela primeira vez desde 2019, mas os níveis ainda são alarmantes, especialmente nos estados da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a expansão agrícola está diretamente ligada à destruição do bioma. As iniciativas para frear o desmatamento no Cerrado enfrentam desafios adicionais, como a alta concentração de áreas privadas e uma legislação ambiental mais permissiva.
Especialistas do WWF-Brasil, como Mariana Napolitano e Daniel Silva, alertam que a queda recente no desmatamento é positiva, mas ainda insuficiente para enfrentar os desafios climáticos e de biodiversidade do país. Para eles, é necessário acelerar e fortalecer as ações de preservação, especialmente em biomas como o Cerrado, que já perdeu metade de sua vegetação natural, e a Amazônia, que se aproxima de um ponto de não retorno.
Os especialistas destacam que a preservação dos biomas Amazônia e Cerrado deve ser considerada de forma integrada, uma vez que ambos são essenciais para a segurança hídrica e energética do Brasil. O avanço do desmatamento, além de ameaçar a biodiversidade, compromete a qualidade de vida e a segurança hídrica das populações dependentes desses ecossistemas.
“É urgente, portanto, que a preservação desses biomas seja finalmente vista de maneira integrada, com políticas articuladas, de impacto nos dois territórios”, disse Mariana