Painel destaca crise climática, ancestralidade cultural e luta das mulheres amazônidas
O painel interdisciplinar “Mulheres, a Crise Climática e a Sustentabilidade” reuniu lideranças femininas e pesquisadores nesta quinta-feira (5), como parte do Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta (Emflor). O evento, realizado no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus, aborda os desafios enfrentados por povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e extrativistas diante da crise climática e práticas predatórias. Com entrada gratuita, o Emflor segue até sexta-feira (6).
A mediadora do painel, Elisiane Sousa de Andrade, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia, destacou a importância dos saberes tradicionais na busca por soluções para a crise climática. “O planeta passa por uma crise que exige que nos voltemos aos conhecimentos dos povos originários e, especialmente, ao trabalho e saber das mulheres”, afirmou.
O debate contou com a participação de Maria do Perpétuo Socorro Rodrigues Chaves, professora da UFAM; Jailce Serrão Gonda, da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares do Amazonas (Fetagri/AM); Rosane Gonçalves Cruz, indígena do povo Piratapuia; e Maria Nice Machado Aires, quilombola e secretária da Mulher no Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS).
Maria Nice Machado ressaltou a relevância da união entre movimentos sociais e academia, enfatizando que sem essa articulação, os desafios persistirão. “A universidade precisa ouvir os saberes tradicionais, e isso só é possível se der espaço para as mulheres originárias falarem”, disse.
Ela também destacou duas demandas importantes para a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), prevista para ocorrer em Belém (PA) em 2025: a regularização fundiária em nome de mulheres e maior controle do governo federal sobre práticas predatórias de empresas na Amazônia. Uma caravana de mulheres amazônidas pretende participar da COP Paralela, evento alternativo focado em gênero, equidade e ecofeminismo.
“Esses debates, liderados por mulheres da floresta e das águas, são essenciais para fortalecer os diálogos que ocorrerão na COP30. Precisamos pensar coletivamente em como salvar o planeta”, concluiu Andrade.
Sobre o Emflor
O Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta é promovido pela UFAM e pelo Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (Gepos). Vinculado aos programas de pós-graduação em Serviço Social e em Sociedade e Cultura na Amazônia, o evento conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Participam conferencistas e coordenadores de grupos de trabalho de entidades públicas e privadas do Amazonas, Roraima e Maranhão. Mais informações estão disponíveis aqui.