Discussão acalorada ocorreu após aprovação de pedidos de prisão preventiva de investigados
A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada nesta segunda-feira (1º), foi marcada por um intenso bate-boca entre a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) e a senadora Leila Barros (PDT-DF). O desentendimento ocorreu logo após a aprovação de pedidos de prisão preventiva de investigados na operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal.
Durante a comemoração da votação, Coronel Fernanda exaltou a decisão com a frase: “Aprovamos, aprovamos”. A manifestação irritou a senadora Leila, que estava sentada ao lado e retrucou dizendo que a base governista também havia contribuído para a aprovação do requerimento.
A troca de palavras rapidamente se transformou em confronto físico simbólico. Ambas se levantaram das cadeiras e chegaram a se encarar frente a frente, em meio a gestos exaltados. A tensão só foi contida após a intervenção de outros parlamentares presentes no plenário.
O episódio refletiu a divisão política em torno da CPI, que analisa um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. A investigação apura descontos indevidos em benefícios previdenciários, realizados sem autorização dos titulares.
Um dos principais pontos da sessão foi a aprovação do pedido de prisão preventiva de investigados citados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). A medida ainda precisa do aval da Justiça para ser cumprida.
A decisão foi tomada durante a oitiva do advogado Eli Cohen, considerado um dos primeiros a denunciar o esquema. Inicialmente, o relator pretendia apresentar o requerimento apenas ao final das perguntas, mas o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), antecipou a votação.
A antecipação gerou protestos entre parlamentares da base, que reclamaram da ausência do nome do ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS, Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, identificado anteriormente como José Carlos Oliveira.
A operação Sem Desconto, deflagrada em abril, apura o desvio de valores que podem alcançar bilhões de reais. Segundo a investigação, os recursos teriam sido desviados por meio de descontos fraudulentos aplicados diretamente em aposentadorias e pensões.
O clima tenso da sessão demonstrou que a CPI deve continuar marcada por embates políticos e acusações cruzadas. Ao mesmo tempo, reforçou a pressão sobre as autoridades para que os responsáveis pelo esquema sejam punidos.