Saúde

Demência frontotemporal: o que é a doença que afeta Bruce Willis

Distúrbio neurodegenerativo afeta comportamento, linguagem e não tem cura conhecida.

22 de Julho de 2025
Foto: VCG via Getty Images

A demência frontotemporal (DFT), doença que afeta o ator Bruce Willis, é um tipo de demência neurodegenerativa que compromete regiões específicas do cérebro, principalmente os lobos frontal e temporal. Diferente do Alzheimer, a DFT costuma se manifestar mais cedo, geralmente entre os 45 e 65 anos, e provoca alterações no comportamento, na fala e, em estágios mais avançados, na memória.

O diagnóstico de Bruce Willis foi revelado pela família em 2023, um ano após a confirmação de um quadro de afasia, condição que impacta a linguagem. Segundo relatos, a fala do ator foi a primeira função afetada, evoluindo depois para a perda da capacidade de ler e se comunicar, conforme contou o produtor Glenn Gordon Caron, amigo pessoal de Willis, ao New York Post.

A esposa do ator, Emma Heming Willis, tem compartilhado nas redes sociais os desafios de conviver com a doença. “Um diagnóstico de demência pode açúcar todo o ar de um ambiente. Eu senti isso. Mas levei um tempo para perceber que, de fato, eu tinha alguma autonomia”, escreveu ela. “Eu não queria que o diagnóstico de demência frontotemporal do Bruce nos levasse com ele, porque a demência é uma doença familiar. Então, fiz a escolha de trazer o ar de volta às nossas vidas pelo bem das nossas filhas, do Bruce e de mim mesma.”

Os sintomas da DFT variam de acordo com a região do cérebro mais afetada. Muitas vezes, os primeiros sinais são mudanças abruptas de personalidade, atitudes impulsivas, comportamento social inadequado ou dificuldades de linguagem, como no caso de Willis. Em alguns pacientes, há também rigidez muscular, dificuldade para engolir e outros comprometimentos motores.

A condição já foi chamada informalmente de “doença da gafe” por conta das atitudes consideradas socialmente inadequadas que alguns pacientes desenvolvem. No entanto, especialistas alertam que esse termo reforça estereótipos e pode dificultar o reconhecimento clínico da doença, que já tende a ser confundida com alterações comportamentais comuns da idade.

Apesar de não haver cura, o tratamento da DFT busca aliviar os sintomas e oferecer suporte multidisciplinar ao paciente e sua família. Terapias com fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais são essenciais para manter a qualidade de vida.

O neurologista Wyllians Borelli, do Hospital Moinhos de Vento, destaca que, enquanto o Alzheimer é associado ao acúmulo das proteínas amiloide e tau, a DFT está relacionada a outras proteínas anormais, como TDP-43 e FUS.

O caso de Bruce Willis chama atenção para uma doença ainda pouco conhecida, mas que tem impacto profundo não apenas no paciente, mas em toda a rede familiar. Outro exemplo público é o do jornalista brasileiro Maurício Kubrusly, diagnosticado com DFT em 2019 e que hoje vive recluso ao lado da esposa, experiência retratada no documentário Kubrusly: mistério sempre há de pintar por aí.

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