Obra celebra memória negra e ecoa ancestralidade em mostra internacional sobre Amazônia
O curta-metragem “Alexandrina, Um relâmpago”, dirigido por Keila-Sankofa, será exibido no Solar Festival 2025, que acontece entre os dias 23 e 29 de julho, em Zurique, na Suíça. A sessão está marcada para o dia 28, dentro da mostra “Edição Amazônia”, que reúne produções ligadas à crise climática, à arte decolonial e à ancestralidade.
A obra integra o projeto “Direito à Memória” e se destaca por sua linguagem política e sensível. Ao unir cinema, instalação e manifesto, o filme reafirma a potência de um corpo negro amazônida que resiste à invisibilização histórica e cultural imposta pelo colonialismo.
Alexandrina, personagem central da narrativa, é símbolo de força, ancestralidade e memória. “Essa é a imagem mais próxima do que poderia ter sido, se a violência colonial não tivesse atravessado aquele corpo", afirma Keila-Sankofa. O filme convida à reflexão sobre os apagamentos históricos da população negra na Amazônia.
Com passagens por museus, centros culturais e festivais nacionais e internacionais, o curta já foi premiado diversas vezes. Entre os reconhecimentos estão Melhor Edição de Som no Cine PE, Melhor Direção e Direção de Arte no Festival Olhar do Norte, além do Prêmio Leda Maria Martins (Ancestralidade) em Minas Gerais e o Prêmio de Aquisição no Diário Contemporâneo de Fotografia, no Pará.
No Solar Festival, que traz como tema “Arte e Cultura como Catalisadores para uma Consciência Transformadora”, a obra estabelece diálogos entre arte, memória, meio ambiente e novas tecnologias, consolidando-se como uma representação simbólica da resistência cultural amazônica.
A historiadora Patrícia Melo, cuja pesquisa inspirou o filme, ressalta o impacto da produção: “Ela está em todos os lugares. Alexandrina ilumina os esquecimentos e nos devolve o lugar de protagonistas da nossa própria história”.
O festival suíço, reconhecido por valorizar expressões artísticas ligadas à transformação social, reforça, com a exibição de “Alexandrina, um relâmpago”, a importância do cinema amazônico na luta pela preservação da memória e da floresta.
Em Zurique, Alexandrina ecoa como um relâmpago, ancestral e presente, lembrando ao mundo que certas memórias continuam acesas.