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Crise política no Japão ameaça nomeação de Sanae Takaichi como premiê

Partido aliado pode romper coalizão após denúncias de fundos secretos do PLD.

10 de Outubro de 2025
Foto: Reprodução / Internet

A nomeação de Sanae Takaichi como chefe do Executivo do Japão foi colocada em dúvida nesta sexta-feira (10), após o partido centrista Komeito, aliado histórico do Partido Liberal Democrático (PLD), anunciar que pode deixar a coalizão governamental. A decisão ameaça a formação do novo governo e a posse da primeira mulher indicada ao cargo de primeira-ministra do país.

O Komeito, parceiro minoritário na coligação, reagiu à crise política provocada por denúncias de fundos secretos ligados ao PLD, legenda liderada por Takaichi. Segundo informações da imprensa japonesa, as explicações apresentadas pela futura premiê não foram consideradas satisfatórias.

“Queremos que a coligação PLD-Komeito volte à estaca zero”, declarou o líder do Komeito, Tetsuo Saito, ao confirmar o desconforto com o caso. A ruptura entre os dois partidos, se confirmada, pode inviabilizar a nomeação de Takaichi, prevista para o fim deste mês.

Sanae Takaichi, de 64 anos, é uma figura de linha dura da política japonesa e foi eleita no sábado (4) como líder do Partido Liberal Democrático, sucedendo o ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba. A vitória fez dela a primeira mulher indicada a comandar o Executivo japonês em toda a história do país.

O PLD governa o Japão quase ininterruptamente desde 1955, sustentado por sua aliança com o Komeito, partido de inspiração budista ligado à organização Soka Gakkai. No entanto, ambos perderam a maioria nas duas câmaras do Parlamento em 2024, o que torna a coalizão essencial para a governabilidade.

Além das divergências sobre os escândalos financeiros, Takaichi enfrenta resistência dentro do próprio Komeito por conta de sua postura em relação ao Santuário Yasukuni, em Tóquio, dedicado aos mortos de guerra japoneses. O local é considerado símbolo do passado militarista do país e costuma gerar reações negativas de países vizinhos.

No passado, Takaichi realizou diversas visitas ao santuário, repetindo gestos de antigos líderes ultranacionalistas. A última visita de um primeiro-ministro japonês ao local ocorreu em 2013, quando Shinzo Abe provocou protestos em Pequim e Seul, além de críticas em Washington.

De acordo com a mídia japonesa, Takaichi estaria considerando cancelar a visita ao Santuário Yasukuni durante o Festival de Outono, em meados de outubro, em uma tentativa de reduzir tensões diplomáticas e políticas internas.

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