País escolhe novo presidente após década de instabilidade e sucessivas trocas no comando do governo.
A candidata presidencial de direita do Peru, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez antes de um debate televisionado em 31 de maio em Lima, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho.
O Peru vai às urnas neste domingo (7) para escolher o próximo presidente entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O vencedor deve assumir o cargo em 28 de julho e se tornará o nono chefe do Executivo peruano em dez anos. A eleição ocorre em meio a uma longa crise política, marcada por impeachments, renúncias, mandatos incompletos e forte tensão entre governo e Congresso.
Desde o fim do governo de Ollanta Humala, em julho de 2016, nenhum presidente peruano conseguiu concluir um mandato completo. Pedro Pablo Kuczynski renunciou em 2018, após a divulgação de vídeos ligados a uma tentativa de compra de votos no Congresso. Martín Vizcarra, que assumiu em seguida, foi destituído em 2020. Depois dele, Manuel Merino ficou apenas cinco dias no cargo, antes de renunciar em meio a questionamentos sobre sua legitimidade.
A sequência de instabilidade continuou com Francisco Sagasti, Pedro Castillo, Dina Boluarte, José Jerí e José María Balcázar. Castillo foi destituído e preso em dezembro de 2022 após tentar dissolver o Congresso. Boluarte assumiu o cargo, mas também acabou afastada por impeachment. Jerí, que deveria cumprir mandato-tampão, foi destituído em fevereiro deste ano. Balcázar foi escolhido pelo Congresso para comandar o país até a posse do novo presidente.
Um dos fatores apontados para a instabilidade é o sistema unicameral do Peru. Diferentemente do Brasil, o país possui apenas uma casa legislativa, formada por 130 parlamentares. Na prática, isso permite que processos de destituição avancem com maior rapidez, sem a necessidade de análise por uma segunda câmara. Para remover um presidente, a Constituição peruana exige 87 votos no Congresso.
O modelo atual foi adotado após a Constituição de 1993, promulgada no governo de Alberto Fujimori, pai de Keiko Fujimori. Até 1992, o Peru tinha Câmara dos Deputados e Senado. Desde então, a ausência de uma segunda casa legislativa tem sido apontada por especialistas como um fator que reduz os mecanismos de revisão e contenção política.
A eleição deste domingo ocorre em um ambiente de desconfiança institucional, polarização e preocupação com segurança pública. Segundo a Reuters, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez chegaram ao segundo turno em uma disputa apertada, em um país marcado por fragmentação política e por um Congresso dividido. O resultado definirá os próximos passos de uma nação que tenta encerrar uma década de instabilidade no comando do Executivo.
Com informações da Reuters*