Dirigente vive turbulência interna e futuro incerto; rescisão custa cerca de R$ 2 milhões
O Flamengo enfrenta um momento de instabilidade nos bastidores com o diretor de futebol José Boto, que vive sua primeira crise desde que chegou ao clube. Contratado há pouco mais de seis meses, o dirigente português convive com insatisfação interna, críticas de parte da diretoria e pressão da torcida, mesmo após um semestre de bons resultados dentro de campo.
Apesar de ainda contar com o respaldo do presidente Rodolfo Landim, a permanência de Boto no cargo está em xeque. Um eventual rompimento contratual, seja por iniciativa do clube ou do dirigente, implicaria no pagamento de multa rescisória de aproximadamente R$ 2 milhões.
O contrato de José Boto segue o modelo adotado com atletas, com vínculo empregatício e de direito de imagem. Neste último, há uma cláusula que prevê pagamento adicional de 30% à parte prejudicada, caso a rescisão aconteça sem aviso prévio de, no mínimo, 30 dias.
A cláusula é semelhante à usada pelo Flamengo no caso Gerson, e pode ser acionada em situações de rompimento unilateral sem justa causa. A direção do clube trata o direito de imagem como parte distinta do vínculo trabalhista, o que justificaria a cobrança integral do contrato.
O episódio mais recente que aumentou o desgaste foi a tentativa frustrada de contratação do atacante irlandês Mikey Johnston, vetada pelo presidente Bap diante da repercussão negativa da torcida. O movimento foi interpretado internamente como uma quebra de confiança no trabalho de Boto.
Além disso, a negociação do meia Victor Hugo com o Famalicão, de Portugal, também causou mal-estar. A proposta não previa compensação financeira ao clube, o que gerou forte reação de dirigentes e conselheiros. A operação, por ora, foi congelada.
Internamente, o dirigente tem sido alvo de críticas por seu estilo de gestão. Relatos apontam conflitos com jogadores, empresários e outros membros do departamento de futebol, o que tem afetado o ambiente na Gávea. Ainda assim, pessoas próximas afirmam que Boto não pretende deixar o cargo no momento, especialmente com a abertura da janela de transferências se aproximando.
José Boto desembarcou no Rio em dezembro de 2023 com status de reforço de peso. A expectativa era que sua experiência internacional trouxesse um novo padrão de gestão ao futebol rubro-negro. No entanto, mesmo com bons números da equipe em campo, o dirigente ainda busca solidez nos bastidores para consolidar seu trabalho.