Mundo

Crise de combustíveis amplia pressão econômica sobre a Rússia

Ataques a refinarias, filas e racionamento afetam o país, mas analistas veem pouca chance de mudança imediata na estratégia de Putin.

Por: Portal Amz em Pauta
19 de Julho de 2026
Foto: Igor Ivanko / AFP

A escassez de gasolina e diesel tem provocado filas, racionamento e aumento de preços em diferentes regiões da Rússia, inclusive em Moscou. A crise é atribuída, em parte, aos ataques ucranianos contra refinarias e amplia os efeitos da guerra no cotidiano da população. Apesar da pressão econômica, especialistas avaliam que o cenário pode levar o presidente Vladimir Putin a endurecer sua posição, em vez de buscar negociações.

Postos ficaram sem combustível, enquanto motoristas passaram horas aguardando para abastecer. Em algumas regiões, autoridades proibiram o armazenamento em galões e reduziram serviços de ônibus e coleta de lixo. Agricultores também demonstram preocupação com possíveis impactos sobre a colheita.

Os ataques de drones e mísseis ucranianos atingiram refinarias e outras estruturas ligadas ao setor energético. Embora seja um dos maiores produtores de petróleo do mundo, o país enfrenta dificuldades para refinar combustível suficiente para atender à demanda interna. O governo respondeu com aumento das importações, subsídios aos preços e autorização para comercializar produtos de qualidade inferior.

Putin reconheceu que os ataques estão causando problemas, mas afirmou que a situação “não é crítica”. Pesquisas recentes, no entanto, indicam aumento do pessimismo econômico e queda nos índices de confiança no governo. Segundo o Centro Levada, a aprovação do presidente recuou para cerca de 74%, enquanto a percepção de que o país está no caminho certo caiu de 61% para 52%.

Para Christopher Weafer, diretor da consultoria Macro Advisory, a crise pode representar um “divisor de águas” para a economia russa. “Os custos da guerra estão aumentando”, afirmou. Segundo ele, a continuidade da escassez pode reduzir as perspectivas de crescimento do país durante o restante do ano.

Apesar dos impactos, a professora de relações internacionais Nina Khrushcheva considera improvável que Putin recue. “Quanto mais pressionado ele se sentir, maior a probabilidade de agir de forma agressiva e repressiva”, declarou. O presidente também voltou a afirmar que as tropas russas mantêm a iniciativa no conflito e indicou que poderá tomar novas decisões após avaliar a participação dos países europeus no apoio à Ucrânia.

 

Com informações da BBC*

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.