Meio Ambiente

Crise climática pode levar à extinção em massa, alerta pesquisador

Durante evento global sobre clima e saúde, Hugh Montgomery destaca os riscos de um colapso ambiental irreversível e as consequências para a humanidade

09 de Abril de 2025
Foto: Marcelo Camargo / Agencia Brasil

O pesquisador Hugh Montgomery, diretor do Centro de Saúde e Desempenho Humano da University College London, alertou que a Terra está à beira de uma nova extinção em massa, caso a humanidade não consiga reverter os efeitos das mudanças climáticas. Montgomery, que também é um dos autores do relatório de 2024 sobre saúde e mudanças climáticas da publicação científica The Lancet, fez o alerta durante sua fala de abertura no Forecasting Healthy Futures Global Summit, evento internacional sobre saúde e clima que começou nesta terça-feira (8) no Rio de Janeiro. 

O Brasil foi escolhido para sediar a conferência por ser o país que receberá a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), marcada para novembro. Durante sua apresentação, Montgomery explicou que, se a temperatura média global continuar a subir, a Terra poderá enfrentar um colapso ambiental comparável ao que ocorreu no Período Permiano, entre 299 e 251 milhões de anos atrás, quando cerca de 90% das espécies não sobreviveram às condições extremas. 

“Estamos presenciando uma extinção em massa, a maior e mais rápida que o planeta já viu, e somos nós que estamos causando isso”, alertou Montgomery. Ele enfatizou que a situação pode se agravar se o aumento da temperatura média global atingir 3º C acima dos níveis pré-industriais. Em 2024, o aumento chegou a um recorde de 1,5º C, e, caso as atuais taxas de emissão de gases de efeito estufa não sejam reduzidas, os cientistas estimam que esse aumento pode chegar a 2,7º C até o final deste século. 

Montgomery explicou que a continuidade desse processo poderá levar a consequências ainda mais drásticas. "Se continuarmos golpeando a base dessa coluna instável sobre a qual estamos apoiados, a própria espécie humana estará ameaçada", afirmou. O especialista também destacou o aumento alarmante na emissão de CO?, com 54,6 bilhões de toneladas de CO? equivalente liberadas na atmosfera em 2023, um aumento de quase 1% em relação ao ano anterior. A concentração de CO? não apenas está aumentando, mas de forma cada vez mais acentuada. 

O pesquisador também alertou para o risco iminente de um colapso abrupto das camadas de gelo do Ártico, que pode ocorrer se a temperatura média global aumentar entre 1,7º C e 2,3º C, mesmo que temporariamente. "Esse aumento causará uma desaceleração significativa da Circulação Meridional do Atlântico, o que afetará nosso clima nos próximos 20 ou 30 anos, provocando uma elevação do nível do mar em vários metros, com consequências catastróficas", explicou. 

Além disso, Montgomery destacou outras causas do aquecimento global, como a emissão de metano, um gás com potencial de aquecimento 83 vezes maior do que o dióxido de carbono. O metano é liberado principalmente durante a exploração de gás natural, e sua contribuição para o aquecimento global é ainda mais preocupante. 

O cientista também ressaltou que ações imediatas de despoluição são cruciais para a economia mundial. Segundo Montgomery, se as mudanças climáticas não forem enfrentadas, a economia global poderá sofrer uma redução de 20% ao ano a partir de 2049, o que representa uma perda de cerca de 38 trilhões de dólares. 

Por fim, Montgomery enfatizou a importância de se pensar em medidas de adaptação às mudanças climáticas, pois elas já estão impactando a saúde das populações. No entanto, ele alertou que essas medidas não devem ser vistas como uma solução definitiva. "Não faz sentido focar apenas no alívio dos sintomas quando deveríamos estar buscando a cura", concluiu o pesquisador, defendendo uma ação global mais agressiva e imediata para a redução das emissões de gases de efeito estufa. 

 

Com informações da Agência Brasil.

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