Campanha com Karina, do aespa, provocou críticas por imagens associadas à Ku Klux Klan e a linchamentos nos Estados Unidos.
A Converse retirou de circulação uma peça publicitária da campanha global do tênis Chuck 70 X depois que a imagem passou a ser acusada de fazer referência visual à Ku Klux Klan e a linchamentos de pessoas negras nos Estados Unidos. O anúncio trazia Karina, integrante do grupo de K-pop aespa, segurando um par de tênis pretos enquanto usava uma saia branca. A marca, que pertence à Nike, pediu desculpas e reconheceu que a peça causou impacto negativo.
A controvérsia começou porque a iluminação e o enquadramento formavam uma espécie de triângulo branco na roupa da cantora. Internautas disseram que o formato lembrava o capuz pontudo usado historicamente pela Ku Klux Klan, organização supremacista branca dos Estados Unidos. Além disso, críticos afirmaram que a forma como os tênis apareciam pendurados poderia remeter visualmente aos pés de uma vítima de linchamento.
A repercussão aumentou com a circulação de outra imagem da campanha, na qual modelos aparecem subindo uma escada para alcançar calçados pendurados em um galho de árvore. Para parte do público, a combinação das duas peças reforçou a interpretação de que a campanha apresentava símbolos associados à violência racial. A reação gerou pedidos de boicote e críticas ao processo de aprovação interna da publicidade.
Em comunicado, a Converse afirmou: “Entendemos por que essa imagem é profundamente perturbadora e reconhecemos que erramos. Removemos a imagem de nossos canais e estamos trabalhando para removê-la de todos os lugares onde apareceu. Isso não deveria ter acontecido e faremos melhor.” A empresa também informou que trabalha para retirar a peça de todos os canais em que ela foi publicada.
Segundo a Associated Press, a Converse não respondeu a questionamentos adicionais sobre como o anúncio passou pelo processo interno de avaliação antes de ser divulgado. Karina e a empresa que administra sua carreira, a SM Entertainment, também não haviam se pronunciado publicamente até a atualização das reportagens consultadas.
A peça fazia parte da campanha global do Chuck 70 X, colaboração apresentada oficialmente pela Converse com Karina como embaixadora da marca. A própria empresa descreve a ação como uma colaboração que une a herança do modelo a uma expressão artística contemporânea.
A repercussão levou o caso para além das redes sociais e reacendeu o debate sobre responsabilidade cultural em campanhas globais. A principal crítica não é de que a Converse tenha declarado intenção de fazer referência à KKK, mas de que a composição visual permitiu essa associação e chegou ao público sem que o problema fosse identificado antes da publicação.