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Conflitos globais tornam espaço aéreo mais perigoso e elevam custos da aviação comercial

Conflitos como a guerra na Ucrânia, o embate entre Israel e Hamas, as tensões entre Índia e Paquistão e os ataques com drones na Rússia têm tornado o espaço aéreo global mais instável e imprevisível.

06 de Junho de 2025
Foto: Reprodução

O aumento de zonas de conflito ao redor do mundo tem afetado diretamente a segurança e os custos da aviação comercial, forçando companhias aéreas a lidar com rotas fechadas, interferências em sistemas de navegação, desvios por riscos militares e, em casos extremos, quedas de aeronaves atingidas por armamentos. As informações são da agência Reuters.

Conflitos como a guerra na Ucrânia, o embate entre Israel e Hamas, as tensões entre Índia e Paquistão e os ataques com drones na Rússia têm tornado o espaço aéreo global mais instável e imprevisível. O impacto já é sentido em voos cancelados, aumentos nos tempos de trajeto, custos operacionais mais altos e um ambiente de constante incerteza para os pilotos.

“O planejamento de voos nesse tipo de ambiente é extremamente difícil”, afirmou Guy Murray, chefe de segurança da companhia aérea europeia TUI Airways. “A indústria aérea depende da previsibilidade — e a ausência dela sempre gera custos maiores.”

De acordo com Mark Zee, fundador do OPSGROUP, entidade que monitora riscos no tráfego aéreo, mais da metade dos países sobrevoados em um voo típico entre Europa e Ásia agora exige avaliação minuciosa antes de cada decolagem.

Esses riscos já resultaram em tragédias. Em dezembro de 2023, um voo da Azerbaijan Airlines foi abatido no Cazaquistão, matando 38 pessoas — segundo fontes da Reuters, a aeronave foi atingida por engano por defesas aéreas russas. Dois meses antes, cinco pessoas morreram na queda de um cargueiro atingido no Sudão. Desde 2001, seis aviões comerciais foram derrubados em zonas de conflito, e outros três escaparam por pouco, segundo a consultoria Osprey Flight Solutions.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) pede mais cooperação entre governos para proteger a aviação civil. Em fevereiro, a entidade alertou que incidentes envolvendo zonas de conflito exigem “coordenação global urgente”.

“O espaço aéreo não deveria ser usado como instrumento de retaliação, mas é”, declarou Nick Careen, vice-presidente da Iata para segurança e operações. 

As companhias aéreas buscam se adaptar como podem. A Singapore Airlines, por exemplo, já alterou três vezes a rota do voo SQ326 entre Singapura e Amsterdã no último ano. A empresa deixou de sobrevoar o Irã após ataques com mísseis entre Israel e Teerã, evitou o Paquistão durante tensões com a Índia e agora voa pelo Golfo Pérsico e Iraque para alcançar a Europa. A companhia não comentou as mudanças.

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