Esportes

Clubes resistem a eleição na CBF e questionam apoio das federações

Bloco que tem Fla-Flu, Fortaleza, Internacional e São Paulo tinha Reinaldo, da federação paulista, como opção viável e se irrita com postura de Vasco, Botafogo e Palmeiras, que foram atrás da maioria das federações

20 de Maio de 2025

Marcelo Paz, do Fortaleza

Foto: Raphael Zarko

A eleição da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), marcada para o próximo domingo (10h30), ganhou novos contornos com a insatisfação de clubes das Séries A e B em relação ao processo eleitoral. Samir Xaud, médico de 41 anos, é o único candidato, com apoio de 25 federações e 10 clubes, o que praticamente garante sua vitória para um mandato de quatro anos (2025–2029).

Dirigentes como Marcelo Paz, do Fortaleza, demonstraram desconforto com a decisão de clubes como Vasco, Botafogo e Palmeiras, que chancelaram a candidatura de Xaud. O dirigente roraimense reuniu as assinaturas necessárias para registrar a chapa e, com isso, encerrou a disputa antes mesmo do início do processo eleitoral.

Nos bastidores e grupos de mensagens, presidentes de clubes como Flamengo, Fluminense, São Paulo e o próprio Fortaleza lamentaram a perda da chance de mostrar uma frente unificada de 40 clubes contra o bloco das federações. Muitos deles não compareceram presencialmente à reunião da Comissão Nacional de Clubes na CBF, participando apenas de forma remota.

A movimentação do grupo contrário à eleição considerada “atropelada” deve ir além da nota pública divulgada na última segunda-feira. A intenção é apresentar um posicionamento mais forte e coletivo contra o modelo atual, que exclui a participação efetiva dos clubes no processo de escolha do novo presidente da entidade.

Tanto Marcelo Paz quanto Alessandro Barcellos, do Internacional, evitaram confirmar presença na eleição. O objetivo é não repetir a simbólica unanimidade registrada na reeleição de Ednaldo Rodrigues, que gerou arrependimento entre os clubes pela falta de debate e consenso real sobre o nome apoiado.

Alessandro Barcelos, Presidente do Internacional (Foto: Raphael Zarko)

Samir Xaud tem feito acenos aos clubes, sugerindo mudanças como o adiamento da eleição e apresentando-se à Comissão Nacional de Clubes. No entanto, os dirigentes afirmam que não se contentam apenas com palavras, exigindo compromissos formais e mudanças estatutárias que garantam mais equidade na distribuição do peso dos votos entre federações e clubes.

A proposta é discutir até o fim da semana medidas que possam trazer equilíbrio e protagonismo real aos clubes dentro da estrutura da CBF. Barcellos reforçou que não há uma decisão definitiva sobre comparecer ou não ao pleito e que qualquer movimento será construído coletivamente, respeitando o alinhamento entre os clubes.

A votação permitirá participação remota, respeitando os compromissos dos clubes em rodada do Campeonato Brasileiro. Mesmo com a eleição definida na prática, a mobilização dos clubes deve marcar o início de uma nova disputa pelo equilíbrio político no futebol brasileiro.

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