Ciência e Tecnologia

Cientistas identificam explosões de magnetar como nova fonte de ouro no cosmos

Estudo revela que explosões de magnetares podem ser responsáveis pela criação de elementos pesados, como o ouro, no universo.

03 de Maio de 2025

Ilustração artística de um neutron magnetizado.

Foto: S. Wiessinger / NASA Goddard Space Flight Center via CNN Newsource

Astrônomos podem ter encontrado uma nova pista sobre a origem do ouro e outros elementos pesados no cosmos, com base em dados de missões espaciais antigas. Pesquisadores sugerem que as explosões de magnetares, estrelas de nêutrons altamente magnetizadas, podem ser uma fonte importante para a criação de ouro no universo. 

O mistério sobre como o ouro e outros elementos mais pesados se espalharam pelo cosmos tem intrigado cientistas há décadas. Até agora, a produção de ouro era atribuída principalmente à colisão de estrelas de nêutrons, um evento observado em 2017, no qual a fusão de duas dessas estrelas gerou não apenas ouro, mas também platina e chumbo. Esses eventos cataclísmicos, conhecidos como quilonovas, são considerados “fábricas” de metais pesados no espaço. 

No entanto, uma nova pesquisa baseada em dados arquivados de missões espaciais antigas, como os telescópios da NASA e da Agência Espacial Europeia, sugere que os magnetares, estrelas de nêutrons com campos magnéticos extremamente fortes, podem também ter desempenhado um papel importante na produção de elementos pesados, incluindo o ouro. De acordo com Eric Burns, coautor do estudo e professor assistente de astrofísica na Universidade Estadual da Louisiana, esses magnetares poderiam ter formado explosões gigantes muito antes das fusões de estrelas de nêutrons, durante as fases iniciais do universo. 

Os magnetares, que são uma versão extremamente brilhante de estrelas de nêutrons, podem liberar grandes quantidades de energia, e suas explosões podem gerar temperaturas e pressões suficientes para criar elementos pesados. Para entender melhor o processo, a equipe de cientistas investigou um sinal de raio gama detectado pela missão INTEGRAL, da NASA, em 2004, relacionado a uma explosão gigante de magnetar. As evidências sugerem que essas explosões poderiam ser uma fonte viável de produção de ouro e outros metais pesados. 

A descoberta foi possível graças à análise de dados antigos que haviam sido incompreendidos até então, mas que, após o desenvolvimento de um novo modelo teórico, se alinharam perfeitamente com os sinais observados nas explosões de magnetares. A pesquisa também contou com dados adicionais de outros satélites, como o RHESSI da NASA e o satélite Wind, que ajudaram a reforçar a hipótese. 

Anirudh Patel, autor principal do estudo e doutorando da Universidade de Columbia, comentou: "Quando inicialmente construímos nosso modelo e fizemos nossas previsões em dezembro de 2024, nenhum de nós sabia que o sinal já estava nos dados. E nenhum de nós poderia imaginar que nossos modelos teóricos se encaixariam tão bem nos dados. Foi uma temporada de festas muito emocionante para todos nós." 

Embora a Dra. Eleonora Troja, especialista em raios X e conhecida por seu trabalho sobre colisões de estrelas de nêutrons, tenha destacado que as evidências da criação de ouro por magnetares ainda não são conclusivas, ela reconhece que a teoria proposta pode ser uma possível explicação para o brilho de raios gama observado nas explosões de magnetares. 

A pesquisa sugere que essas explosões poderiam ser responsáveis por até 10% dos elementos mais pesados que o ferro na Via Láctea. No entanto, a equipe acredita que uma missão futura, como o telescópio Compton Spectrometer and Imager (COSI) da NASA, programada para ser lançada em 2027, poderá fornecer mais evidências e aprimorar a compreensão sobre como magnetares podem contribuir para a produção de elementos pesados no universo. 

Com essa nova teoria, os cientistas estão mais perto de resolver o quebra-cabeça sobre a origem do ouro e outros metais pesados, e podem estar diante de uma nova era na compreensão da química cósmica. 

 

Com informações da CNN Brasil.

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