Eduardo Tagliaferro é investigado por vazamento de mensagens do gabinete de Moraes.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados vai ouvir nesta quarta-feira (17), às 10h, o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro. Ele prestará depoimento como testemunha de defesa no processo que analisa a cassação do mandato da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP).
Tagliaferro é investigado por suposto vazamento de mensagens trocadas entre servidores do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). À época dos vazamentos, ele chefiava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE, quando o tribunal era presidido por Moraes. Após a abertura das investigações, Tagliaferro foi exonerado do cargo e mudou-se para a Itália, onde vive atualmente.
O caso envolve a deputada Carla Zambelli, que está presa na Itália e aguarda o julgamento do pedido de extradição para o Brasil. Ela e o hacker Walter Delgatti Neto foram condenados por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Além da pena criminal, Zambelli foi sentenciada à perda do mandato parlamentar, decisão que ainda precisa ser confirmada pelo plenário da Câmara dos Deputados.
O processo de cassação, registrado como Representação 2/25, tramita inicialmente na CCJ. Após a análise no colegiado, o parecer será encaminhado ao Plenário da Câmara, que dará a decisão final sobre a manutenção ou a perda do mandato da parlamentar.
Na última quarta-feira (10), a comissão iniciou a oitiva das testemunhas indicadas pela defesa de Zambelli. O primeiro a depor foi Walter Delgatti, que reafirmou as acusações de que a deputada o orientou a invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para inserir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A convocação de Eduardo Tagliaferro é vista como uma tentativa da defesa de Carla Zambelli de apresentar elementos que possam contestar ou enfraquecer as acusações. O depoimento é aguardado com expectativa, já que ele ocupou posição estratégica no TSE durante o período em que as mensagens foram supostamente vazadas.
Com a audiência marcada, a CCJ dá continuidade ao processo que poderá resultar na cassação de Zambelli. O caso mantém acesa a discussão sobre crimes cibernéticos, uso de informações sigilosas e responsabilidade parlamentar, e segue como um dos mais acompanhados no cenário político e judicial brasileiro.