Saúde

Casos de influenza A e SRAG seguem em alta no Brasil

Fiocruz alerta para vacinação e aponta aumento entre idosos e crianças

06 de Junho de 2025
Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou, nesta quinta-feira (6), um novo Boletim InfoGripe que alerta para o crescimento contínuo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelos vírus influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em diversas regiões do Brasil. A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 22, de 25 a 31 de maio.

Segundo a Fiocruz, a mortalidade por SRAG nas últimas oito semanas foi semelhante entre crianças e idosos. Entre os idosos, os óbitos foram majoritariamente associados à influenza A, enquanto nas crianças predominam os casos e mortes por rinovírus e influenza A.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe, aponta que, apesar da elevação dos casos de SRAG em crianças em boa parte do país, já se observa sinais de estabilidade ou queda em alguns estados das regiões Centro-Sul e Norte, além do Ceará. Mesmo assim, a incidência segue elevada.

"Reforço a importância da vacinação contra o vírus da influenza A, especialmente nas populações mais vulnerável, como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e gestantes”, alerta a pesquisadora.

Portella também destaca que os casos de SRAG em crianças de até quatro anos têm sido impulsionados principalmente pelo VSR. "Porém, o rinovírus e a influenza A também têm contribuído para o aumento dos casos de SRAG nessa faixa etária e em adolescentes de até 14 anos." Ela acrescenta: "Os dados laboratoriais por faixa etária indicam que a influenza A é responsável pelo aumento das hospitalizações por SRAG entre idosos a partir dos 65+ anos e adultos e jovens a partir dos 15 anos.”

O boletim mostra que 25 das 27 unidades da Federação apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Entre jovens, adultos e idosos, os casos de SRAG associados à influenza A continuam em crescimento, com níveis de incidência que variam de moderado a muito alto em grande parte dos estados do Centro-Sul, além de alguns do Norte e do Nordeste. “No entanto, já se verifica sinais de queda desses casos em Mato Grosso do Sul, e interrupção do crescimento no Ceará, Pará e Tocantins, embora ainda em patamares elevados de incidência”, afirma Portella.

Além disso, 15 capitais brasileiras apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento a longo prazo: Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA) e São Paulo (SP).

Ano epidemiológico


Em 2025, foram notificados 83.928 casos de SRAG. Destes, 41.455 (49,4%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 29.563 (35,2%) deram negativo, e 7.334 (8,7%) aguardam resultado. Entre os casos positivos, 22,7% foram de influenza A, 1,2% de influenza B, 45% de VSR, 22,8% de rinovírus e 11,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi: 38,9% de influenza A, 0,9% de influenza B, 47,3% de VSR, 15,9% de rinovírus e 1,7% de Sars-CoV-2. Entre os óbitos no mesmo período, 73,4% foram atribuídos à influenza A, 1,3% à influenza B, 12,8% ao VSR, 10,4% ao rinovírus e 5,1% à Covid-19.

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