Política

Carla Zambelli chega à Itália antes de nome entrar na lista da Interpol

A parlamentar também teve suas contas bancárias bloqueadas pelo STF

05 de Junho de 2025
Foto: Divulgação

A deputada federal Carla Zambelli (PL) desembarcou na Itália nesta quinta-feira (5), segundo fontes ouvidas pelo blog. A parlamentar teria chegado à capital Roma antes de seu nome ser oficialmente incluído na difusão vermelha da Interpol, o que ocorreu na manhã do mesmo dia, pelo horário de Brasília.

A viagem para a Europa ocorreu dias após Zambelli ser condenada a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir documentos falsos. Entre eles, estaria um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a apuração, Zambelli deixou o Brasil cruzando a fronteira com a Argentina pela região de Foz do Iguaçu. Na quarta-feira (4), ela foi localizada na Flórida, nos Estados Unidos, segundo sua assessoria. A informação é que depois seguiu viagem rumo à Europa.

A inclusão do nome de Zambelli na lista da Interpol só foi confirmada após sua saída do país. A medida, chamada de difusão vermelha, serve para alertar países-membros sobre a existência de mandado de prisão emitido pelas autoridades brasileiras.

Além da condenação, Zambelli também se tornou alvo de um novo inquérito no STF. Ela é investigada por suposta coação no curso do processo e tentativa de obstrução das investigações, com indícios de envolvimento em organização criminosa.

A abertura desse novo inquérito foi autorizada após uma entrevista em que a deputada declarou ter o objetivo de, a partir da Europa, combater o Supremo Tribunal Federal. A fala foi interpretada como indício de intenção de influenciar ou interferir em processos judiciais.

Com cidadania italiana, Zambelli poderá permanecer legalmente no país europeu, o que pode dificultar ações imediatas de extradição. Enquanto isso, bolsonaristas avaliam que ela pode assumir papel semelhante ao de Eduardo Bolsonaro na defesa internacional do ex-presidente.

O nome da deputada também foi oficialmente incluído no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). O sistema centraliza ordens judiciais de todo o Brasil para facilitar ações de busca e captura de foragidos no território nacional.

A ordem de prisão preventiva contra Zambelli foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. A decisão veio em meio ao agravamento de acusações contra a parlamentar, que agora enfrenta um cenário jurídico mais complexo, com repercussões internacionais.

Nesta quinta-feira (5), o Banco Central comunicou ao STF que emitiu a ordem de bloqueio das contas bancárias e ativos financeiros de Carla Zambelli. A medida atende à decisão de Moraes emitida na quarta-feira (4), após o mandado de prisão da deputada.

O bloqueio inclui não apenas contas bancárias, mas também transferências via Pix, uso de cartões de crédito, investimentos, previdência privada, cartas de consórcio, ouro e criptomoedas. A ordem foi enviada a todas as instituições financeiras do país.

Com a fuga confirmada, Moraes entendeu que Zambelli adota um “modus operandi” similar ao do deputado Eduardo Bolsonaro, investigado por incitar o governo norte-americano contra autoridades brasileiras. Diante do abandono da defesa por parte do advogado Daniel Bialski, a representação jurídica da parlamentar será assumida pela Defensoria Pública da União.

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