Meio Ambiente

Canícula intensifica ondas de calor extremo e desafia cidades no século XXI

Fenômeno climático prende massas de ar quente e se agrava com aquecimento global.

01 de Outubro de 2025
Foto: Pexels

O calor extremo, cada vez mais frequente em várias regiões do Brasil e do mundo, tem relação com um fenômeno climático conhecido como canícula. Ele ocorre quando há bloqueio atmosférico, situação em que uma massa de ar quente fica retida sobre uma área, impedindo a chegada de frentes frias e prolongando períodos de altas temperaturas.

Na prática, a canícula corresponde a cerca de 40 dias consecutivos de calor acima do normal, quase sempre acompanhados de chuvas escassas. No Hemisfério Norte, o fenômeno costuma aparecer no verão, entre julho e agosto. No Brasil, é mais comum entre janeiro e fevereiro.

Em 2025, a Europa enfrentou episódios históricos: a Espanha registrou o verão mais quente de sua história, enquanto Portugal chegou a suspender aulas devido a temperaturas que alcançaram 46,6 ºC. Esses eventos, que antes eram pontuais, tornaram-se cada vez mais frequentes e intensos com o avanço do aquecimento global.

No Brasil, os impactos também são evidentes. Em São Paulo, por exemplo, a quantidade de dias em que as temperaturas ultrapassaram em mais de 5 ºC a média anual saltou de 7 por ano, na década de 1960, para mais de 50 na última década. Só em 2025, diversas ondas de calor foram registradas em sequência.

Os efeitos da canícula vão além do desconforto térmico. Pesquisas indicam que o risco de morte por infarto ou AVC pode aumentar até 50% em períodos de calor extremo. Além disso, reservatórios sofrem queda nos níveis, o consumo de energia elétrica dispara e o efeito das ilhas de calor urbanas torna as cidades ainda mais quentes.

No campo, as consequências são igualmente severas: secas prolongadas reduzem a produção agrícola, principalmente de soja e milho, elevam os custos de irrigação e aumentam o risco de incêndios.

Especialistas afirmam que é possível mitigar os impactos da canícula com medidas de adaptação. Entre elas, destacam-se o monitoramento climático, a ampliação de áreas verdes nos centros urbanos, a preparação dos sistemas de saúde e o uso racional da água.

Com o aquecimento global em curso, a tendência é que fenômenos como a canícula ocorram de forma cada vez mais intensa e prolongada, exigindo atenção redobrada de governos, agricultores e da população em geral.

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