Política

Câmara suspende Glauber Braga por seis meses e rejeita cassação do mandato

Parlamentares optam por punição alternativa após debates acalorados sobre quebra de decoro

11 de Dezembro de 2025
Foto: Divulgação

O plenário da Câmara dos Deputados decidiu na última quarta-feira (10), suspender o mandato do deputado Glauber Braga por seis meses, rejeitando a cassação que poderia torná-lo inelegível. A decisão, aprovada por 318 votos a 141, com três abstenções, encerra um processo iniciado após a acusação de que o parlamentar teria agredido o integrante do MBL, Gabriel Costenaro, em abril do ano passado.

Antes da votação final, os deputados aprovaram, por 226 votos a 220, a preferência por uma punição alternativa que substituísse a cassação pela suspensão temporária. A mudança de estratégia refletiu o entendimento de parte dos parlamentares de que seria melhor aplicar uma sanção do que correr o risco de absolver o deputado caso não houvesse votos suficientes para cassar o mandato.

A suspensão foi proposta pelo deputado Lindbergh Farias e recebeu apoio de representantes de diferentes partidos, incluindo PSD e MDB. Alguns parlamentares argumentaram que, embora Glauber tenha violado o Código de Ética, a cassação seria uma medida desproporcional. Outros, como Laura Carneiro, afirmaram compreender a reação do deputado, que alegou ter defendido a honra da mãe, internada na UTI na época.

O relator do processo, deputado Paulo Magalhães, manteve sua posição favorável à cassação, destacando que o tema havia sido amplamente debatido tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no Conselho de Ética. No entanto, sua orientação foi superada pelo plenário, que se inclinou pela punição mais branda.

Momentos antes da votação, Glauber Braga discursou emocionado e classificou a possível cassação como uma violência contra seu mandato. O deputado argumentou que reagiu a provocações dirigidas à sua mãe e recebeu apoio de colegas como Chico Alencar e Jandira Feghali, que defenderam que o caso não se comparava a outras situações recentes que resultaram em cassação.

Parlamentares favoráveis à cassação, como Kim Kataguiri e Nikolas Ferreira, contestaram a versão apresentada pelo deputado, afirmando que as imagens não comprovavam as ofensas alegadas. Eles também destacaram a incoerência de Glauber ao apoiar a cassação de Daniel Silveira em outro caso de quebra de decoro.

A discussão ocorreu um dia após Glauber ter sido retirado à força da cadeira da Presidência da Câmara, após protestar contra a inclusão de seu processo na pauta juntamente com os casos de Carla Zambelli e Delegado Ramagem. A ocupação foi vista como uma tentativa de simbolizar resistência diante da possível cassação.

O processo disciplinar teve origem em abril, quando o Conselho de Ética aprovou por 13 votos a 5 o parecer pela cassação. O partido Novo, autor da representação, argumentou que Glauber agrediu Costenaro durante uma manifestação de motoristas de aplicativo. O deputado afirmou que reagiu após uma série de provocações, mas o plenário optou por aplicar uma suspensão de seis meses em vez da perda definitiva do mandato.

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