Proposta foi incluída como emenda e segue agora para análise no Senado
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (12) a proposta que prevê a castração química de pedófilos. O texto, aprovado com 367 votos favoráveis, 85 contrários e 14 abstenções, foi inserido durante a votação de um projeto que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para estabelecer um cadastro nacional de pedófilos. A medida segue agora para apreciação no Senado.
De acordo com o projeto, o cadastro permitirá o acesso a informações de condenados por crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) será responsável por centralizar os dados em uma plataforma que incluirá a qualificação do condenado e fotografia.
Castração química e polêmica no plenário
A proposta de castração química foi incluída como emenda de plenário, mas inicialmente rejeitada pela relatora do projeto, Delegada Katarina (PSD-SE), por contrariar o acordo entre líderes partidários. Após a rejeição, o partido PL apresentou um destaque para votação, que gerou críticas de parlamentares, como a deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), que considerou o procedimento desrespeitoso aos acordos estabelecidos.
O tema gerou intenso debate. A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) argumentou que a medida não protege efetivamente crianças e adolescentes, já que a violência sexual pode ocorrer de outras formas, inclusive virtuais. “Resolver a questão peniana não resolve a cabeça do estuprador ou a sua capacidade de ferir uma criança”, disse, apontando contradições nas prioridades legislativas.
A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) também criticou a iniciativa, classificando-a como populismo penal. “A política pública precisa resolver concretamente o problema da violência sexual com prevenção, educação sexual nas escolas, campanhas e, depois, responsabilização efetiva do agressor”, afirmou.
Defesa e regulamentação da medida
Por outro lado, o deputado Sanderson (PL-RS) defendeu a castração química como uma alternativa adotada em outros países. “Esse é um projeto importante. A castração química dará um resultado positivo, combatendo essa febre de pedofilia”, afirmou, acrescentando que considera a medida menos severa do que a pena de morte.
O texto aprovado determina que a castração química será aplicada cumulativamente às penas já previstas para crimes de violência sexual. A medida envolve o uso de medicamentos inibidores de libido, regulamentados pelo Ministério da Saúde e respeitando contraindicações médicas.
A proposta segue agora para o Senado, onde deverá enfrentar novas discussões sobre sua constitucionalidade e efetividade.