Meio Ambiente

Calor, acidez e falta de alimento colocam em risco ecossistemas marinhos

Estudo revela aumento simultâneo de fenômenos que afetam biodiversidade e pesca no Atlântico.

01 de Agosto de 2025
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Ondas de calor marinhas, aumento da acidez e baixa concentração de clorofila têm ocorrido com mais frequência e simultaneamente no Oceano Atlântico Sul e Equatorial, ameaçando a vida marinha e a sustentabilidade da pesca.

Segundo um estudo publicado na revista Nature Communications, os três fenômenos, antes raros em conjunto, passaram a acontecer todos os anos desde 2016, afetando diretamente a capacidade de recuperação dos ecossistemas.

De acordo com os pesquisadores, os impactos são consequência direta da emergência climática. O oceano, responsável por absorver cerca de 90% do calor atmosférico e 30% do dióxido de carbono (CO?), vem sofrendo com o superaquecimento e a acidificação das águas. Esses fatores alteram a estrutura química e térmica do ambiente marinho.

Embora alguns ecossistemas consigam resistir ao calor e à acidez quando há alimento suficiente, o aquecimento excessivo diminui a presença de gases nutrientes para o fitoplâncton, algas microscópicas que estão na base da cadeia alimentar oceânica. A escassez dessas algas compromete a sobrevivência de diversas espécies e, por consequência, a atividade pesqueira e de maricultura.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), com base em dados de 1999 a 2018 coletados por satélites. Foram monitoradas seis regiões biologicamente ricas do Atlântico Sul: Atlântico Equatorial Ocidental (próximo ao Nordeste brasileiro), Atlântico Subtropical Ocidental, Confluência Brasil-Malvinas, Golfo da Guiné, Frente de Angola e Vazamento das Agulhas.

Essas áreas sustentam a pesca de oito milhões de toneladas de organismos marinhos por ano, essenciais para a segurança alimentar de comunidades costeiras da América do Sul e da África. O aumento simultâneo dos três fenômenos críticos torna impossível a regeneração natural dos ecossistemas, já que é necessário um tempo mínimo sem perturbações para a recuperação biológica.

A pesquisadora Regina Rodrigues, da UFSC e do Inpo, ressalta que o impacto é agravado por outras pressões humanas:

“Os ecossistemas marinhos estão sob pressão de diferentes tipos de poluição: dejetos químicos, da agricultura, pesticidas, esgoto sem tratamento. Fora a pesca ilegal, que ocorre em ritmo maior do que as espécies podem se reproduzir."

Ela defende ações de conservação mais rigorosas:

“Deveríamos fazer mais áreas de conservação e regulamentos para tirar essas pressões sobre o ecossistema. Aquecimento e acidez do mar não conseguimos combater agora, porque requerem medidas mais amplas de redução dos gases do efeito estufa.”

A pesquisa alerta que, sem uma resposta rápida e integrada, os danos aos oceanos podem ser irreversíveis, comprometendo a biodiversidade e a segurança alimentar global.

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