Domingo, (06 de Setembro de 2026)
Fatos Curiosos

Cães de Chernobyl apresentam mutações raras que podem prevenir câncer

Estudo com mais de 300 animais expostos à radiação revela alterações no DNA ligadas à reparação celular e supressão tumoral.

Por:
15 de Agosto de 2025

Dois cães caminham pela cidade abandonada de Pripyat, na Ucrânia, em 2022, próxima ao local do desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986.

Foto: DIMITAR DILKOFF / AFP / Getty Images

Após quase quatro décadas vivendo em áreas altamente contaminadas pela radiação do desastre nuclear de 1986, cães que habitam os arredores da usina de Chernobyl, na Ucrânia, despertaram o interesse da comunidade científica.

Um estudo recente revelou que esses animais desenvolveram mutações genéticas que podem protegê-los contra o câncer.

Pesquisadores analisaram amostras de sangue de mais de 300 cães que vivem nas zonas mais afetadas e compararam os resultados com genomas de cães de outras regiões. Foram identificadas centenas de mutações ausentes em populações caninas comuns. Parte dessas alterações está relacionada a mecanismos de reparo do DNA e supressão tumoral, processos que ajudam a evitar o desenvolvimento de câncer, mesmo sob exposição prolongada à radiação.

A radiação ionizante presente no local é conhecida por provocar danos severos ao DNA e aumentar o risco de doenças, incluindo câncer. Porém, os cientistas acreditam que a população canina de Chernobyl passou por um processo acelerado de seleção natural, no qual os indivíduos com maior capacidade de reparar danos genéticos sobreviveram e transmitiram essas características para as gerações seguintes.

O estudo, publicado em 2023 na revista Science Advances, destaca que ainda não é possível afirmar que esses cães sejam totalmente imunes ao câncer, mas aponta que a descoberta pode abrir caminhos para pesquisas médicas voltadas à proteção de humanos expostos à radiação, como trabalhadores de usinas nucleares ou pacientes em tratamento de radioterapia.

Entre as possíveis aplicações, os genes identificados poderiam servir de base para o desenvolvimento de terapias e estratégias preventivas mais eficazes.

Os pesquisadores pretendem continuar monitorando a população de cães de Chernobyl para verificar se as mutações se mantêm nas próximas gerações e se, de fato, conferem uma proteção significativa contra a doença.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.