Novo governo enfrenta baixo crescimento, inflação elevada e impactos persistentes do Brexit.
Andy Burnham assumiu nesta segunda-feira (20) o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido com a promessa de liderar um governo pró-negócios e elevar o padrão de vida da população. O trabalhista sucede Keir Starmer em um cenário de crescimento econômico moderado, inflação pressionada, custos elevados de energia e efeitos duradouros do Brexit sobre o comércio e a produtividade do país.
Dados do Office for National Statistics (ONS) mostram que a economia britânica cresceu 0,1% em maio, após registrar retração de 0,1% em abril. O avanço foi impulsionado pelo setor de serviços, que expandiu 0,3% no período. Em contrapartida, a produção industrial recuou 0,5% e a construção civil caiu 0,8%.
No trimestre encerrado em maio, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,7% em relação aos três meses anteriores. Na comparação anual, a economia cresceu 1,3%, o melhor desempenho em dez meses. Em 2025, o PIB do Reino Unido registrou expansão de 1,3%, enquanto o PIB per capita avançou 1,1%, após queda de 0,1% em 2024. Já no primeiro trimestre de 2026, o crescimento foi de 0,6%.
Apesar dos sinais de recuperação, as perspectivas permanecem moderadas. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta crescimento de 0,9% para a economia britânica em 2026 e de 1,1% em 2027. A entidade também estima inflação de 3,7% neste ano, com recuo para 2,4% no próximo, além de taxa de desemprego de 5,5%.
Entre os fatores que limitam a atividade econômica estão o aumento dos custos da energia, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, as taxas de juros ainda elevadas, o ajuste das contas públicas e o cenário internacional de incertezas. A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, elevou os custos de combustíveis e da produção para empresas e consumidores.
O novo primeiro-ministro também terá de lidar com os impactos estruturais do Brexit. Desde a saída oficial do Reino Unido da União Europeia, em 2020, o comércio com o bloco passou a enfrentar novas barreiras alfandegárias, exigências regulatórias e aumento dos custos administrativos.
Segundo o Office for Budget Responsibility (OBR), o Brexit deverá reduzir em 15% as importações e exportações britânicas no longo prazo, em comparação com um cenário de permanência na União Europeia. O órgão também estima uma redução de 4% na produtividade potencial da economia ao longo de quinze anos, embora ressalte que outros fatores, como a pandemia, a crise energética e a inflação, também contribuíram para o desempenho econômico recente.
Ao assumir o governo, Burnham sinalizou uma agenda voltada ao fortalecimento do ambiente de negócios. A OCDE recomenda que a nova gestão mantenha a disciplina fiscal, enfrente os altos custos da energia e adote medidas para ampliar os investimentos e elevar a produtividade da economia britânica.