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BRICS desafia liderança global e busca nova ordem multipolar em 2025

A despolarização das transações comerciais é uma das principais pautas do BRICS

21 de Fevereiro de 2025
Foto: Divulgação

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que completa três anos em fevereiro, continua a redefinir a geopolítica global. O apoio militar e financeiro do Ocidente à Ucrânia tem dificultado as negociações de paz, prolongando o conflito e aumentando o esforço entre potências mundiais. Paralelamente, mudanças na política externa dos Estados Unidos apontam para uma reconfiguração da ordem internacional.

Com a eleição de Donald Trump, os EUA adotam uma abordagem mais pragmática, afastando-se do idealismo democrático e priorizando relações de força. A nova estratégia sugere uma ordem global triangular entre Estados Unidos, Rússia e China, deixando aliados tradicionais, como a Europa, em segundo plano. A Ucrânia, por sua vez, corre o risco de perder autonomia nas negociações.

Nesse cenário, o BRICS surge como um ator fundamental na reformulação da governança global. O bloco, que recentemente expandiu seus membros, propõe alternativas ao domínio ocidental em instituições financeiras e políticas internacionais. A Cúpula do BRICS, prevista para julho no Brasil, ganha destaque como espaço para discutir novos caminhos para a ordem mundial.

A atual estrutura de instituições como a ONU, o FMI e o Banco Mundial ainda refletem um mundo pós-1945, ignorando o crescimento econômico e político de novas potências. O BRICS questiona essa liderança, defendendo reformas que incluam uma governança mais representativa e justa.

A política externa dos EUA sob Trump busca conter o avanço do BRICS, evitando a criação de uma ordem verdadeiramente multipolar. O governo americano já sinalizou medidas como tarifas comerciais agressivas caso o bloco avance na proposta de transações em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar.

Para os EUA, qualquer reforma da ordem liberal deverá ocorrer sob a sua liderança, neutralizando o potencial transformador do BRICS. No entanto, a crescente insatisfação global com o domínio económico ocidental fortalece o bloco como alternativa viável.

A despolarização das transações comerciais é uma das principais pautas do BRICS. A ideia é não substituir o dólar, mas diversificar os meios de pagamento, permitindo maior autonomia financeira para os países emergentes. Essa estratégia desafia diretamente o poder dos EUA no sistema financeiro global.

A diversidade dentro do BRICS, longe de ser um obstáculo, fortalece o grupo na construção de uma nova ordem global mais inclusiva. No entanto, desafios como desigualdades comerciais entre membros e diferenças políticas internas precisam ser superados para garantir a coesão do bloco.

A Cúpula do BRICS no Brasil será um teste crucial para o futuro da multipolaridade. Enquanto os EUA tentam manter sua liderança, o grupo busca consolidar sua influência, promovendo uma governança global mais equitativa e representativa.

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