Economia

BRICS: Mais de 40% da população mundial e 37% do PIB global

Grupo busca reforma da governança global e ganha influência crescente na economia e política internacional

02 de Janeiro de 2025
Foto: Secretaria de Comunicação Social/Divulgação

O BRICS, bloco formado inicialmente por Brasil, China, Índia e Rússia, agora com a adesão de mais cinco países, concentra mais de 40% da população global, com uma tendência de crescimento superior à média mundial nos próximos anos. O bloco também responde por 37% da economia mundial, segundo o critério de Produto Interno Bruto (PIB) por poder de compra, de acordo com dados do Fórum Econômico Mundial. 

Criado em 2009, o BRICS, que originalmente reunia apenas os quatro primeiros países, teve a África do Sul como o quinto membro em 2011. Em 2023, mais cinco países se uniram ao grupo: Irã, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Arábia Saudita. A Arábia Saudita ainda está em processo de confirmação, mas já participa das reuniões do bloco, segundo o Itamaraty. 

Além de representar uma significativa parte da população e da economia global, os países do BRICS também possuem uma grande relevância no comércio e na produção de recursos naturais. O grupo detém 26% do comércio mundial, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), e controla 44% das reservas de petróleo e 53% das reservas de gás natural do planeta. Em termos de produção, os BRICS são responsáveis por 43% do petróleo e 35% do gás natural mundial. Além disso, o bloco detém 72% das reservas mundiais de terras raras e 70% da produção global de carvão mineral. A Rússia e o Brasil também possuem as maiores reservas de água doce do planeta. No campo militar, o BRICS conta com três potências nucleares: Rússia, China e Índia. 

A diretora do Brics Policy Center e professora da PUC-Rio, Marta Fernández, destaca que, com o peso econômico e militar crescente, o BRICS exige um peso político proporcional aos recursos que possui. 

Histórico e Influência Global 

O termo "BRIC", criado pelo economista Jim O'Neill em 2001, se referia aos países emergentes que eram vistos como promissores para o futuro. O acrônimo foi posteriormente expandido para BRICS com a adesão da África do Sul em 2011. Em 2006, os quatro países fundadores realizaram sua primeira reunião à margem da Assembleia Geral da ONU. A crise financeira global de 2008 impulsionou o grupo a se reunir anualmente, com o objetivo de promover uma reforma no sistema de governança global. 

O BRICS, embora inicialmente um grupo informal, teve sua agenda voltada para a reforma da ordem internacional. Desde sua primeira cúpula, o bloco tem exigido mudanças nas principais instituições globais, como a ONU, o FMI e o Banco Mundial, especialmente após a crise financeira de 2008, que evidenciou as fragilidades do sistema econômico liderado por países ocidentais. 

Os países do BRICS, em busca de maior influência, criaram em 2014 o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), uma instituição financeira destinada a financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento. Além disso, o BRICS defende o uso de moedas locais nas negociações comerciais entre seus membros, buscando reduzir a dependência do dólar americano. 

Limitações e Desafios 

Embora o BRICS tenha conquistado destaque, existem divergências significativas entre seus membros, tanto em relação a questões comerciais quanto ideológicas. O professor Pedro Dallari, da Universidade de São Paulo, observa que o BRICS funciona mais como um fórum de coordenação geopolítica e fortalecimento do multilateralismo do que como um bloco econômico coeso. Além disso, os membros do BRICS não apresentam unanimidade sobre grandes questões globais, como as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, as mudanças climáticas e a gestão de pandemias. 

Evandro Carvalho, professor da Universidade Federal Fluminense, destaca que o BRICS também enfrenta desafios em termos de estrutura organizacional. Como um grupo informal, não possui uma secretaria executiva que centralize informações e iniciativas, o que dificulta a transparência e o acesso a dados sobre suas ações. 

O Futuro do BRICS 

Apesar das limitações estruturais e das divergências internas, Marta Fernández acredita que o BRICS continua a exercer uma força simbólica crescente, representando uma alternativa à organização tradicional da governança global, baseada principalmente no Ocidente. O BRICS, ao longo do tempo, tem se consolidado como uma voz importante do Sul Global, pressionando por mudanças na ordem internacional e na forma como as potências mundiais lidam com questões de governança e poder.

Com informações da Agencial Brasil. 

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