CIN será exigida para benefícios sociais, mas emissão segue abaixo do previsto.
A emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), que substitui o antigo RG e usa o CPF como número único, enfrenta dificuldades em diversos estados. Embora a meta do governo seja atingir 130 milhões de pessoas até 2026, apenas 30 milhões de documentos foram emitidos desde janeiro de 2023.
Relatos de falhas nos sites, falta de vagas e desorganização nos postos são comuns. No Rio de Janeiro, a professora Priscila Vieira tenta há 15 dias agendar o documento para familiares, sem sucesso.
“Passei até no posto, estava vazio, mas o sistema não deixa agendar”, afirmou.
Outra moradora, Kellen Christine, conseguiu agendar, mas encontrou filas desorganizadas e falta de atendimento.
“Os funcionários estavam perdidos e muita gente voltou sem ser atendida”, relatou.
Em Acre, Amazonas e Tocantins, os sites apresentam erros técnicos, impedindo o agendamento.
A CIN será obrigatória para acessar benefícios sociais, como o Bolsa Família, e passa a integrar o sistema do governo para reduzir fraudes e duplicidade de registros. Segundo o Ministério da Gestão, o uso exclusivo do CPF deve facilitar políticas públicas.
Apesar dos avanços, fraudes continuam acontecendo. O advogado Gabriel de Britto alerta que a CIN, sozinha, não impede golpes, já que os criminosos têm acesso a dados sensíveis pela internet.
“O número do RG nunca foi o vilão. O risco está no ambiente digital”, disse.
Ele recomenda cuidados como não clicar em links suspeitos, evitar redes públicas de Wi-Fi e não compartilhar dados pessoais por mensagens ou ligações.
O Detran-RJ informou que ampliou o número de vagas, oferece atendimento aos sábados e disponibilizou agendamento pelo aplicativo RJ Digital. O Tocantins estuda abrir novas unidades. Acre e Amazonas não se pronunciaram.